Por Andreia Pavan

Os exames de coagulação são amplamente utilizados na prática médica e sua solicitação está indicada para a avaliação da hemostasia (primária e secundária) e na investigação de doenças hemorrágicas e trombóticas1,4,5,6. Os testes de maior relevância e indispensáveis para um bom diagnóstico na avaliação pré-operatória, para pacientes que serão submetidos a investigação de distúrbios hemorrágicos (ex.: hemofilia) e trombóticos (ex.: trombose) e o monitoramento de medicações, são: tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) e tempo de protrombina (TP)2.

A observação das variáveis pré-analíticas é extremamente importante para se obter confiabilidade e qualidade em todos os resultados, principalmente quando se fala em exames de coagulação, um parâmetro altamente sensível a essas variáveis e que qualquer falha técnica pode afetar diretamente seus resultados, além de afetar também na qualidade do processo. Resultados incorretos podem causar sérios danos ao paciente e ao sistema de saúde em geral, na medida em que levam a diagnósticos e condutas terapêuticas equivocadas7,8.

Segundo a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), “as variáveis pré-analíticas se referem a todos os fatores que afetam a qualidade da amostra antes do início do teste, consistindo em uma fase mais suscetível a erros pelo fato de a maioria de seus processos não ser automatizada, envolvendo atividades manuais”1 e estima-se que 70% dos erros no processo laboratorial estão concentrados nesta fase. O anticoagulante usado, sua concentração, sua relação com o sangue, o modo de coleta e processamento das amostras são fatores importantes para que seja possível obter resultados representativos do ponto de vista clínico1,3.

O procedimento de coleta é o que mais impacta na fase pré-analítica. Dentre os erros encontrados nesta etapa, podemos destacar a coleta por sistema aberto (com seringa agulhada e transferência da amostra para os tubos), que acarreta em hemólise, amostra coagulada ou em desproporção da quantidade de sangue/anticoagulante1,4,5,6. Muito comum encontrar esta opção de coleta em pacientes debilitados ou com veias mais difíceis, como crianças e idosos, pois se utilizar o sistema a vácuo convencional, podem ter suas veias lesadas ou pela pressão negativa do vácuo no interior do tubo, correndo o risco de colabamento das paredes dos vasos, ou pela dificuldade do profissional em segurar/manusear o holder durante a troca dos tubos, já que estes possuem uma borracha mais espessa e rígida na tampa, aumentando o impacto na troca,  levando à formação de hematomas no local2,5.

O S-Monovette® Sarstedt Citrato possui na tampa uma membrana perfurável, retrátil e fina, garantindo a suavidade na troca dos tubos e a consequente redução na formação de hematomas pós-coleta.

Em relação ao anticoagulante, o S-Monovette® Sarstedt Citrato, independente do volume do tubo, cumpre com as exigências da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) e da ISO 6710, utilizando o citrato de sódio como anticoagulante para testes de coagulação. Segundo essas instituições, o citrato de sódio é o anticoagulante mais recomendado para os testes de coagulação de rotina, uma vez que o fator V é mais estável nesse composto, pois reage rapidamente com o cálcio para formar um complexo solúvel e a concentração do citrato de sódio usado como anticoagulante para testes tais como TP e TTPA devem estar dentro do intervalo de 0,105 a 0,109 (3,13 – 3,2%) mol/l, na proporção de uma parte do anticoagulante para nove partes de sangue (1:9)2,3.

Para o procedimento de coleta com o Sistema S-Monovette®, a metodologia é totalmente fechada e há possibilidade de se escolher entre a técnica de aspiração ou vácuo momentos antes da punção. Em casos de pacientes com acessos difíceis, descarta-se a coleta a vácuo e sugere-se realizá-la pela técnica de aspiração, que permite total controle da velocidade do fluxo sanguíneo para dentro do tubo. Já no caso de pacientes cujas veias estejam em boas condições (fáceis de serem puncionadas, de bom calibre e boa resistência das paredes) adota-se o método a vácuo, sendo que nos tubos S-Monovette® a pressão negativa criada pelo vácuo é menor do que em tubos a vácuo convencionais, pois o vácuo é “fresco”, ou seja, criado no momento da punção, garantindo o preenchimento correto do volume mesmo em tubos próximos a data de validade).

É importante salientar que, em coletas múltiplas, pode-se alterar de uma técnica para a outra, a cada troca de tubo e sempre que for necessário. Ou seja, pode-se iniciar uma coleta aspirando-se manualmente e coletar o próximo tubo a vácuo ou vice-versa, e assim por diante com os demais tubos. Isso gera autonomia do coletador em decidir qual técnica é mais adequada para cada paciente e/ou coleta.

Além da redução da hemólise e maior conforto do paciente, a coleta com sistema fechado S-Monovette® (aspiração e/ou vácuo), faz com que o sangue coletado se misture com o reagente que está no tubo, preservando a proporção constante e ideal entre sangue/anticoagulante, garantindo segurança no resultado final e reduzindo recoletas.

Referências:

1. SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso. 2.ed. Barueri: Minha Editora; 2010.

2. Sarstedt: “Tips and thecniques in Preanalytics”, Nümbrecht, 2018.

3. CLSI – H21-A5 – Collection, Transport and Processing of Blood Specimens for Testing Plasma-Based Coagulation Assays and Molecular Hemostasis Assays; Approved Guideline – Fifty Edition.

4. Gestão da Fase Pré-Analítica: Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). 1.ed. Rio de Janeiro: Grafitto; 2010.

5. SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): coleta e preparo da amostra biológica. Barueri: Minha Editora; 2014.

6. SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) : fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. 1.ed. Barueri: Manole, 2018.

7. Pedro Serrão Morales – https://pebmed.com.br/conheca-as-tres-fases-dos-exames-laboratoriais/.

8. https://www.unilab.com.br/materiais-educativos/artigos/fase-pre-analitica/.

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coleta, exames de coagulação, S-Monovette® Sarstedt Citrato, variáveis pré-analíticas

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