As iniciativas serão financiadas por organização filantrópica ligada ao Facebook

Serão investidos, nos dois projetos, US$ 500 mil para capacitar pesquisadores e ampliar seu acesso a conhecimentos e a novas tecnologias de diagnóstico por imagem, as quais podem ser usadas em pesquisas destinadas à prevenção e ao controle de doenças

Dois projetos na área da bioimagem coordenados por docentes do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG foram selecionados em chamada internacional da Iniciativa Chan Zuckerberg (CZI), organização filantrópica cofundada e copresidida por Mark Zuckerberg, do Facebook, e por sua esposa, Priscilla Chan.

Serão investidos, nos dois projetos, US$ 500 mil para capacitar pesquisadores e ampliar seu acesso a conhecimentos e a novas tecnologias de diagnóstico por imagem, as quais podem ser usadas em pesquisas destinadas à prevenção e ao controle de doenças. A divulgação do conhecimento e o fortalecimento da cultura científica em escolas públicas de nível básico e fundamental é outro objetivo importante das propostas.

Os projetos Rede de Bioimagem para o Avanço da Pesquisa Biomédica (Rede BioIMG Net), coordenado pela professora Cristina Guatimosim, e Democratizando a Microscopia em todo o Brasil, liderado pelo professor Gustavo Batista Menezes, ambos do Departamento de Morfologia, serão realizados em três anos, e os recursos vão custear salários e mobilidade de pessoal, a realização de eventos científicos e a divulgação de informações. Rede BioIMG Net vai receber US$ 300 mil, e Democratizando a Microscopia, US$ 200 mil.

Iniciativa Chan Zuckerberg foi fundada em 2015, com o objetivo de ajudar a resolver alguns dos desafios mais complexos enfrentados pela humanidade – desde a erradicação de doenças e a melhoria da educação até o atendimento das necessidades de comunidades locais – e contribuir para um futuro mais inclusivo, justo e saudável para todos.

‘Rede de bioimagem’

De acordo com a bióloga Cristina Guatimosim – que coordena a Rede BioIMG Net junto com os professores Gregory Kitten, diretor do Centro de Microscopia da UFMG, e Rossana Melo, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) –, o primeiro passo será promover intercâmbio e oferecer treinamento a pesquisadores, técnicos e estudantes em técnicas avançadas de microscopia.

O projeto prevê a realização de cursos e workshops, a criação de um website para a divulgação das atividades da rede e visitas monitoradas de estudantes e professores da educação básica de escolas públicas aos laboratórios e centros multiusuários participantes.

Com sede no Centro de Microscopia da UFMG, a Rede BioIMG Net é formada pelo Centro de Aquisição e Processamento de Imagens (Capi), do ICB e da Faculdade de Medicina da UFMG, e cientistas, laboratórios e estruturas técnico-científicas das federais de Ouro Preto (Ufop), de Juiz de Fora (UFJF), dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha (UFVMJ), de Viçosa (UFV), da Fundação Ezequiel Dias (Funed) e da Fiocruz. Essas instituições começaram a se articular tão logo foi divulgado o resultado da seleção. Os recursos devem ser liberados já a partir de dezembro deste ano.

“O reconhecimento da CZI mostra que estamos no caminho certo e evidencia a necessidade de que, em condições adversas, com a educação sucateada e com cortes de recursos, precisamos tentar alternativas”, afirma Cristina Guatimosim. O prêmio da CZI é o maior de sua carreira em termos de financiamento e, segundo ela, vai impactar as pesquisas de colegas. “O que está sendo construído é coletivo”, destaca a professora, comemorando a oportunidade de trabalhar para a comunidade científica e possibilitar o acesso de alunos e professores de escolas públicas às técnicas mais avançadas de bioimagem.

‘Democratizando a microscopia’

O outro projeto da UFMG contemplado pela CZI, que o imunologista Gustavo Menezes lidera ao lado do professor da UFRJ Heitor Paula-Neto, vai identificar e visitar grupos de pesquisa de todo o Brasil para oferecer treinamento para o uso da microscopia intravital (IVM). Essa ferramenta possibilita visualizar, com altíssima resolução de imagem, dinâmicas de fenômenos biológicos, como processos inflamatórios e infecções, em indivíduos vivos (in vivo). Esse método obtém grande proximidade de uma realidade biológica – muito acima, por exemplo, de técnicas histológicas e métodos in vitro (fora do organismo vivo).

Com a meta de chegar aos 26 estados do país, a equipe também vai ensinar soluções de baixo custo, como pequenos ajustes ou reparos capazes de melhorar o desempenho dos microscópios. Ainda está prevista a realização de eventos no ICB-UFMG, com o objetivo de criar um polo nacional de bioimagem. O trabalho será relatado no perfil @bioimagingbrasil, no Instagram, e, ao final, o conteúdo será transformado em documentário.

Gustavo Menezes avalia que o fato de um projeto de Minas Gerais, com origem na UFMG, chamar a atenção de uma organização que nasceu no Vale do Silício (Califórnia, EUA), berço da tecnologia mundial, comprova que “a pesquisa é o único mecanismo para salvar a vida na Terra”. Ele lamenta que o Brasil continue a tomar decisões que tiram a ciência da posição estratégica de prioridade, ainda que a pandemia de Covid-19 tenha mostrado que o conhecimento científico é fundamental para a sobrevivência da humanidade.

Os pesquisadores

Cristina Guatimosim Fonseca é graduada em Ciências Biológicas e doutora pela UFMG (com estudos na University of Colorado School of Medicine, nos EUA), e fez residência de pós-doutorado na Harvard University (EUA). Professora titular do Departamento de Morfologia do ICB-UFMG, ela coordenou o Programa de Pós-graduação em Biologia Celular. Sua pesquisa tem ênfase em citologia e biologia celular, abrangendo, entre outros temas, comunicação neuronal, junção neuromuscular, modelos murinos de disfunção colinérgica e Doença de Huntington.

Gustavo Batista de Menezes é cirurgião-dentista formado na UFMG, mestre em Ciências Biológicas – Fisiologia e Farmacologia e doutor em Farmacologia, também pela UFMG. Fez estudos de pós-doutorado em Patologia e Biologia Celular, ainda na Universidade, e em Imunologia, na Universidade de Calgary (Canadá). É professor associado da UFMG e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (2015-2019). Dirige o Nikon Center of Excellence-Brazil e o Centro de Excelência BD Biosciences em Pesquisas Interdisciplinares. É também diretor científico da Maxillofacialtips e investigador principal do Center for Gastrointestinal Biology, do ICB. Trabalha com imunologia, biologia celular, hepatologia, gastroenterologia, nutrição e desenvolvimento neonatal e divulgação científica.

Conheça os projetos BioIMG Net e Democratizando a microscopia no Brasil.

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bioimagem, Iniciativa Chan Zuckerberg, UFMG

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