Unidades já foram instaladas na China, no Canadá, no México e no Japão

A rede de pesquisa internacional, constituída por meio de laboratórios associados, tem os objetivos de promover intercâmbios e encontros entre cientistas

Um encontro de grupos de pesquisa franceses e do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, nos dias 22 e 23 de maio, no Centro de Atividades Didáticas de Ciências Humanas, campus Pampulha, vai materializar a criação do primeiro Laboratório Internacional Associado (LIA), do Institut National de la Recherche Agronomique, o INRA, da França, em um país sul-americano. Pelo modelo de parcerias do instituto francês, o LIA, uma espécie de “laboratório sem paredes” ou virtual, formaliza colaboração internacional de longo prazo em função de um projeto científico comum, com duração de cinco anos, renovável por igual período.

A rede de pesquisa internacional, constituída por meio de laboratórios associados, tem os objetivos de promover intercâmbios e encontros entre cientistas, compartilhar conhecimentos e novas ferramentas de investigação e treinar jovens pesquisadores, criando condições para o aumento de colaborações multilaterais e para oferecer respostas eficientes a chamadas de projetos. Unidades do LIA estão instaladas também na China, no Canadá, no México e no Japão.

Segundo Vasco Azevedo, coordenador do LIA brasileiro – professor dos programas de pós-graduação em Genética e também do Interunidades de Bioinformática, na prática o evento vai lançar o projeto Bactéria – Inflamação (Bact-Inflam), que busca desenvolver novas estratégias terapêuticas e alternativas aos tratamentos alopáticos para controle de doenças inflamatórias.

A estratégia adotada pelo Bact-Inflam inclui caracterização de processos de inflamação e das bactérias neles envolvidas, determinação da composição de microbiota associada a órgãos inflamados ou saudáveis, identificação de espécies marcadoras, caracterizando-as nos níveis celular e molecular, validação em modelos animais e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, com base no uso de bactérias imunomoduladoras ou compostos bacterianos. Seu objetivo é identificar determinantes bacterianos envolvidos em processos pró ou anti-inflamatórios associados a doenças crônicas inflamatórias intestinais (CID) e mastites em animais domésticos, e caracterizar processos inflamatórios em modelos de glândula mamária e intestino.

Laboratório Internacional Associado

O LIA formaliza a relação entre as organizações parceiras, dispondo por meio de contrato sobre questões como direitos de propriedade intelectual e transferência de tecnologia, além de estabelecer um quadro oficial para o intercâmbio franco-brasileiro, especialmente para a criação de doutorados co-tutelas para os alunos de pós-graduação.

Vasco Azevedo conta que o histórico deste relacionamento remonta a 1993, quando ele conclui o mestrado e o doutorado em genética de microrganismos pelo Institut National Agronomique Paris Grignon. Em 1998, já docente da UFMG ele promoveu um simpósio sobre Novas Utilizações de Bactérias Lácteas, no ICB. A parceria institucional, portanto, começou em 2000, já possui publicações conjuntas, mas só agora está sendo oficializada.

Participam cinco grupos de pesquisa franceses do Instituto Micalis, as unidades de pesquisa conjunta para a Ciência e Tecnologia de Leite e Ovos (STLO) e o Laboratório de interação de bactérias comensais e probióticos com o hospedeiro. Integram o LIA outros três laboratórios do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB), em Belo Horizonte – Genética Celular e Molecular coordenado por Vasco Azevedo, Imunofarmacologia, liderado por Mauro Teixeira, e Imunobiologia, que está sob a coordenação de Ana Maria Caetano. A parte francesa do LIA é coordenada por Yves Le Loir, diretor da STLO e idealizador deste Laboratório Internacional Associado, e também por Jean-Marc Chatel, da Micalis.  O INRA Agrocampus Ouest Rennes, seria um órgão equivalente à Embrapa, no Brasil.

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“laboratório sem paredes”, INRA, Laboratório Internacional Associado (LIA)

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