Em comparação com o método tradicional, baseado na tentativa e erro, a oncologia da Medicina Personalizada tem uma melhor relação custo-benefício, uma vez que o tratamento é objetivo e certeiro e, portanto, economiza tempo e dinheiro

A Medicina Personalizada aproxima o laboratório do médico, uma vez que possibilita o diagnóstico mais preciso aliado à assessoria oferecida ao prescritor, estabelecendo uma relação de parceria

Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer, o que ela não tem é tempo a perder. Por isso, iniciar o tratamento preciso o quanto antes é fundamental na busca da cura. Para atender a essa demanda, a área de Medicina Personalizada tem avançado ao oferecer ao mercado exames que podem até mesmo dobrar os percentuais de sucesso no combate à doença.

“O tratamento tradicional é realizado de acordo com o órgão de origem do câncer. Com os testes genéticos da Medicina Personalizada, que são mais sofisticados, estamos identificando o subtipo molecular de cada câncer. Por exemplo, do ponto de vista genético, cada paciente tem um tipo diferente de câncer de pulmão. A Medicina Personalizada vem constantemente pesquisando alterações, mutações adquiridas ao longo da vida, responsáveis pelo aparecimento do câncer”, afirma o médico oncologista, consultor do Grupo Pardini, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (INCA), diretor Científico do Instituto COI (pesquisa e educação em oncologia), Luiz Henrique de Lima Araujo.

Ele explica que, na Medicina Personalizada, existem dois grupos de testes oncológicos. Um está relacionado à oncogenética e atua na descoberta da propensão a determinados tipos de câncer. Permite intervir para reduzir o risco, prevenir ou detectar inicialmente, antes mesmo de surgir alguma manifestação no corpo do paciente. Essa vertente realiza diagnósticos dedicados a entender as alterações genéticas que vêm de nascimento. Um caso que ilustra essa hipótese é o da atriz norte-americana Angelina Jolie, que passou por uma cirurgia para retirada das mamas por ter uma predisposição genética a desenvolver câncer nesses órgãos.

A outra situação é decorrente de mutações adquiridas ao longo da vida, que não passam de pais para filhos. Nesse caso, a Medicina Personalizada atua principalmente para contribuir na apresentação de um tratamento mais eficaz, seja quimioterapia, seja imunoterapia ou terapia-alvo.

O oncologista observa que os dados estatísticos da terapia droga-alvo, executada com base nas peculiaridades genéticas do câncer de cada indivíduo, indicam que a sobrevida dobra em comparação com o método tradicional. Este, baseado na tentativa e erro, funciona para 10% a 15% dos pacientes. Outro fator diferencial é a relação custo-benefício, uma vez que o tratamento-alvo é objetivo e certeiro e, portanto, economiza tempo e dinheiro.

Luiz Henrique destaca que a Medicina Personalizada aproxima o laboratório do médico, uma vez que possibilita o diagnóstico mais preciso aliado à assessoria oferecida ao prescritor, estabelecendo uma relação de parceria. “O cuidado oncológico no Brasil é muito avançado, mas não adianta ter apenas o tratamento reativo desenvolvido. O diagnóstico é um ponto-chave. Quanto mais preciso, mais eficiente. Por isso, a Medicina Personalizada quebra paradigmas e os laboratórios serão cada vez mais importantes.

O médico ressalta que já muito viável o aumento da assertividade no tratamento e na precisão de diagnósticos de câncer. “Tem casos em que o tratamento-alvo não é uma boa opção, podendo ser substituído por imunoterapia, por exemplo. Essa é uma informação importante, porque não desperdiça tempo nem recursos. A oncologia não tem esse tempo”, enfatiza.

Segundo a professora Associada de Genética Clínica da Faculdade de Medicina da UFRJ, Márcia Gonçalves Ribeiro, o cenário de Medicina Personalizada no Brasil está em pleno avanço. “Em relação aos casos de câncer, que também podem ter origem genética, temos vários marcadores genéticos que vão indicar o melhor prognóstico e o tipo de tratamento. Isso é um ganho muito grande. Estamos em um estágio bastante promissor. Os exames genéticos estão ganhando uma ‘popularidade’ e, com isso, há maior chance de eles serem aplicados ao tratamento mais adequado. Estamos em um momento muito positivo para esse fim e todos vão ganhar muito: os médicos, a equipe técnica de laboratório e os pacientes”, afirma Márcia Gonçalves Ribeiro, que é também assessora científica do Laboratório DLE do Grupo Pardini.

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câncer, Grupo Pardini, medicina personalizada, testes genéticos

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