Com a participação de palestrantes internacionais, painel discutiu assuntos relacionados à aplicação da tecnologia na melhoria do atendimento

“A cada US$ 1 dólar gasto na saúde, US$ 0,03 vão para diagnóstico e 70% dessas informações são usadas para as decisões clínicas. Logo, se uma decisão clínica custa três centavos, o custo deveria reduzir em pelo menos 30%”

Debater a relevância da medicina diagnóstica dentro de uma cadeia de saúde complexa foi um dos focos da 4ª edição do FILIS – Fórum de Lideranças da Saúde, evento realizado pela Abramed, no dia 30 de agosto, em São Paulo. Como macrotema, o 4º FILIS trouxe a “Medicina Diagnóstica: mais valor para um sistema de saúde em transformação” e mesclando experiências nacionais e internacionais, o painel “O papel da Medicina Diagnóstica e a sua participação no ciclo de cuidados” discutiu assuntos relacionados à aplicação da tecnologia na melhoria do atendimento – e consequentemente em melhores desfechos clínicos – sem abrir mão da humanização do sistema.

Entre os palestrantes internacionais, Khosrow Shotorbani, CEO Lab 2.0 Strategic Services e presidente do Projeto Santa Fe Foundation, mostrou que exames laboratoriais podem contribuir para a estratificação de riscos em diferentes fases da assistência ou do cuidado em saúde. O Projeto Santa Fé foi lançado com o intuito de discutir novas fronteiras que definirão a avaliação econômica futura e a colocação de serviços de diagnóstico.

Shotorbani demonstrou que exames custam muito pouco em relação ao que podem trazer de benefícios. “A cada US$ 1 dólar gasto na saúde, US$ 0,03 vão para diagnóstico e 70% dessas informações são usadas para as decisões clínicas. Logo, se uma decisão clínica custa três centavos, o custo deveria reduzir em pelo menos 30%”, detalhou.

Para o CEO, é preciso que a medicina diagnóstica “tome o seu lugar à mesa”. “Informamos ao profissional de saúde o que vem pela frente. Fazemos uma estratificação dos riscos e o que vai acontecer. Um laboratório clínico pode fazer muito, desde conectar o paciente ao gestor de saúde, até ajudar a criar um modelo de saúde do futuro. Qual o nosso papel nesses 97 centavos de dólar?”, questionou.

O painel recebeu também John Mattison, CMIO e Strategy Advisor da Kaiser Permanente, principal plano de saúde dos Estados Unidos, que mostrou várias aplicações e novos conhecimentos de genômica que vão modificar a assistência à saúde, destacando diagnóstico, tratamento do câncer e o que acontece na medicina personalizada: “O futuro já está aqui. Treinamos como repensar e atender os pacientes de maneira digital”.

Após as palestras, o debate contou com a presença de Gustavo Fernandes, Oncologista e Vice-presidente de Relações Nacionais e Internacionais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica; Paulo Chapchap, Diretor-Geral do Hospital Sírio-Libanês; Roberto Santoro, CEO do Hermes Pardini, e Robson Miguel, Diretor de Serviços Profissionais LATAM e Canadá da Abbott Diagnostics. Discutiu-se a importância do cuidado pessoal com educação médica, bem como a necessidade de redução de desperdícios no setor.

Chapchap falou da necessidade de uma equipe de especialistas em diagnóstico dentro de um hospital, ajudando médicos a tomar decisões em situações clínicas distintas. “Se o médico tem mais informações sobre o paciente, ele vai pedir os exames que são realmente necessários. Temos vários gaps (lacunas) de diagnósticos em um hospital. Precisamos da integração entre patologia, radiologia clínica e medicina nuclear com os médicos clínicos”, afirmou, ressaltando que a consciência social do médico é fundamental. “E a consciência de valor para economizar em saúde populacional é fazer mais por aquele indivíduo que está na frente dele. A medicina está cada vez mais personalizada”, frisou.

Gustavo Fernandes lembrou da expectativa dos pacientes no consultório sobre a realização de exames e que o médico precisa de tempo para explicar o que pode ser útil. “Precisamos trazer o médico e o paciente para a prevenção através da educação, para que o especialista compreenda a pertinência daquilo que ele está pedindo”, considerou.

Reafirmando a urgência da necessidade do uso racional de recursos e a integração entre prestadores de serviços e operadoras de plano de saúde no Brasil, Roberto Santoro, CEO do Hermes Pardini, ressaltou que é preciso trazer o desfecho clínico para ma realidade da operadora. “E remunerar o médico a partir disso”, completou.

A ideia foi corroborada por Robson Miguel, da Abbot Diagnostics: “Esse processo de engajamento é onde acreditamos que vamos conseguir extrair melhores resultados”.

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Abramed, FILIS – Fórum de Lideranças da Saúde, medicina diagnóstica

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