Os cuidados em cada etapa da fase pré-analítica da hemocultura são fundamentais para se obter um bom resultado no exame, tornando, assim, a terapêutica do paciente eficaz

As infecções de corrente sanguínea (ICS) compreendem as complicações mais devastadoras nas unidades de terapia intensiva (UTI) e representam uma importante causa de morbidade e mortalidade em humanos, além de outras consequências, como prolongamento do tempo de internação hospitalar e aumento nos custos da assistência. Há evidências de que a terapêutica adequada precoce melhora o prognóstico desses pacientes, o que aumenta a necessidade de obter um resultado mais rápido e preciso da hemocultura, que configura, sem dúvida, um dos mais importantes exames microbiológicos.

Do ponto de vista prático, é importante a divisão das infecções de corrente sanguínea (ICS) em síndromes que apresentam características específicas, devendo ser abordadas de maneira diferente: a) Infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS): sem foco infeccioso primário identificável; b) Infecções secundárias da corrente sanguínea (ISCS): com foco infeccioso primário identificável em outra localização; c) Infecções da corrente sanguínea relacionadas ao cateter (ICS-CR): têm como fonte de infecção o cateter vascular.

O aumento na prevalência de bacteremias, que geralmente resultam em uma ICS, tem sido determinado por fatores como o aumento de pacientes com risco de infecções, o surgimento de “novos” patógenos na corrente sanguínea, a difusão de procedimentos diagnósticos e terapêuticos invasivos, e o uso de cateteres intravasculares. A ICS é diagnosticada pela detecção de micro-organismos viáveis na corrente sanguínea, condição definida como bacteremia. O laboratório clínico tem um papel extremamente importante no tratamento desses pacientes, uma vez que a hemocultura positiva representa um indicador altamente específico da infecção.

Em seu artigo Hemocultura: recomendações de coleta, processamento e interpretação de resultados (2012), a médica patologista Maria Rita Elmor de Araújo aponta as fontes mais comuns de ICS, inclusive as de origem comunitária e hospitalar, entre as quais estão: dispositivos intravasculares (19%), trato geniturinário (17%), trato respiratório (12%), intestino e peritônio (5%), pele (5%), trato biliar (4%), abscesso intra-abdominal (3%), outros sítios (8%) e de sítios desconhecidos (27%).

A predisposição à bacteremia ou à fungemia também está relacionada à idade do paciente e a doenças de base, assim como ao uso de medicamentos e à submissão de procedimentos médicos invasivos, como os procedimentos endoscópicos e o cateterismo venoso central. Pacientes com faixas etárias extremas e portadores de doenças hematológicas, neoplasias, diabetes mellitus, insuficiência renal em diálise, cirrose hepática e imunodepressão se predispõem mais à infecção por bactérias resistentes. A bacteremia pode decorrer, ainda, de atividades diárias, como a escovação dentária e a mastigação.

A bacteremia pode ser evitada por meio de uma boa higiene pessoal, capaz de minimizar o risco de infecções bacterianas e, consequentemente, a propagação destas. A prevenção recai também sobre os profissionais da saúde que, durante os procedimentos médicos, devem reduzir as práticas invasivas e a sua duração, de modo a diminuir a exposição dos pacientes a bactérias, bem como valer-se de técnicas seguras e equipamentos adequados.

Aos pacientes com bacteremia são prescritos antimicrobianos, escolhidos de acordo com o resultado das hemoculturas positivas de cada um. Além de identificar o melhor medicamento para o tratamento, esse resultado serve também como critério diagnóstico para outras doenças, como a endocardite, grave doença infecciosa do coração.

Cuidados na fase pré-analítica e seus interferentes

Os cuidados em cada etapa da fase pré-analítica da hemocultura são fundamentais para se obter um bom resultado no exame, tornando, assim, a terapêutica do paciente eficaz. Nesse caso, o profissional deve atentar-se com a indicação clínica, coleta da amostra, número de amostras, hora, intervalos, local de punção, volume de sangue coletado, tipo de frasco e transporte das amostras.

Coleta de hemoculturas

O exame de hemocultura é feito, em regra, quando há suspeitas de endocardite, sepse, bacteremia, meningite, pneumonia grave e infecção hospitalar. Porém, ele não é necessário diante de qualquer quadro infeccioso. É recomendado que o procedimento seja feito antes do início da antibioticoterapia de pacientes, cuja condição seja suficiente para que sejam submetidos à internação, uma vez que a presença de antimicrobianos prejudica o crescimento de bactérias.

Quanto ao momento da realização, o melhor para a coleta de hemoculturas é o de ascensão da temperatura. Em pacientes com febre constante, o exame pode ser feito a qualquer momento, em razão da urgência, e, em pacientes estáveis, mas com febre intermitente, de 45 minutos a uma hora, antes do pico febril.

Praticidade e segurança

Referência no segmento pré-analítico, a Greiner Bio-One desenvolveu produtos práticos e seguros para a coleta de hemocultura. São eles: os escalpes Vacuette® com trava de segurança, da Linha Safety, e os adaptadores para hemocultura (não estéreis e de uso único).

A Linha Safety da Greiner Bio-one – com o objetivo de reduzir o risco de acidentes com materiais perfurocortantes, que são responsáveis pela maior parte das transmissões infecciosas relacionadas ao trabalho – oferece ao público soluções inovadoras em conformidade com a Norma Regulamentadora Brasileira nº 32 ou NR-32 (Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde) e com os critérios estabelecidos pela EU Directive (EU2010/32), da União Europeia.

Escalpes com Trava de Segurança Vacuette®: contam com um mecanismo de segurança, acionado após o uso, que retrai a agulha do acesso venoso, evitando o contato do perfurocortante com o profissional da saúde. Esses produtos, além de proporcionarem ao paciente maior conforto e menor sensação de dor durante a coleta, em razão da menor força de penetração em comparação aos dos concorrentes, possuem antecâmara que possibilita a visualização do fluxo sanguíneo ou infusão de medicamentos na punção.

Adaptadores para Hemocultura: Esses acessórios não são estéreis e são livres de látex de DEHP, um dos ftalatos mais difíceis de serem biodegradados, e utilizados para a coleta de sangue em frascos para hemocultura. Após o término da coleta dos frascos, pode ser realizada a coleta dos tubos a vácuo.

Referências

Hemoculturas – Recomendações de coleta, processamento e interpretação dos resultados. São Paulo: Journal of Infection Control, 2012 (Artigo de Revisão). Disponível em: http://www.iqg.com.br/pbsp/img_up/01355393320.pdf.

Protocolo de Atendimento: Rotina de Hemoculturas. Carlos Augusto Gimael Ferraz Júnior Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba – 27/02/2009. Disponível em: http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340447084ccih.pdf.

SBPC/ML. Recomendações da SBPC/ML. Fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. Barueri – SP, 2018.

Tags:

bacteremia, exames microbiológicos, Greiner Bio-One, hemocultura, infecções de corrente sanguínea

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