O equilíbrio na gestão de custos de produção é um desafio diário dos laboratórios em todo o país e, quando se fala em empresas de pequeno e médio porte, é ainda mais importante. Para falar sobre esses temas, o Gerente Corporativo de Key Accounts do Grupo Pardini, Aureliano Fagundes de Oliveira Filho, irá ministrar um curso no dia 16 de junho, às 9h, dentro da programação do 46º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC), no Expominas, em Belo Horizonte. O nome do curso é “Estratégias que favorecem a redução do custo dos pequenos e médios laboratórios”. Confira a entrevista abaixo.

Como é o atual cenário econômico dos laboratórios de análises clínicas no Brasil?
Os laboratórios de análises clínicas enfrentam as mesmas dificuldades que qualquer organização numa economia em recessão. Custos de produção elevados, em virtude dos aumentos anuais (pessoal, materiais e custos fixos), necessidade de investimentos em automação e novos exames e, por outro lado, a falta de repasse por parte das fontes pagadoras (planos de saúde e operadoras) que representam cerca de 90% do faturamento nos laboratórios.

Por que é importante fazer uma gestão de custos para ser competitivo?
A relevância da informação para as organizações é cada vez maior. A cada dia é possível verificar uma preocupação crescente com o controle eficiente de custos e a tomada de decisões lastreadas em informações confiáveis e que extrapolem o ambiente interno das organizações. Gerir custos é um fator importante, uma questão de sobrevivência. Assim, todos os fatores conduzem a um ponto chave: as empresas precisam mudar a forma de controlar suas operações e dirigir os seus negócios. Como não existe nenhuma perspectiva de renegociação de preços e os custos operacionais crescem a cada ano diminuindo gradativamente as margens, não existe outro caminho para a sobrevivência se não houver um trabalho focado na redução dos custos de produção.

É difícil para os pequenos laboratórios gerenciarem os custos? Por quê?
De maneira geral todos os recursos humanos dos laboratórios de pequeno e médio porte estão direcionados para a análise, produção e interpretação dos laudos. Somado a isto, existe uma escassez de profissionais com conhecimento e expertise para apuração de custos em um laboratório de análises clínicas, por conta do alto nível de complexidade e necessidade de conciliação do conhecimento técnico para a apuração dos custos de produção dos exames.

O que os laboratórios não percebem como importante no momento de gerenciar os custos?
Na verdade, na maioria dos casos não existe uma apuração de custos fidedigna. Geralmente leva-se em consideração os custos com a produção de exames baseada no rendimento dos reagentes, principalmente dos kits, em número de testes reportados. Assim, grandes distorções são verificadas uma vez que cada exame possui uma peculiaridade e condições de produção baseados em BPLCs (Boas Práticas de Laboratório Clínico).

O que não pode faltar quando falamos em gerenciamento de custos de laboratórios?
Primeiramente, o entendimento que é um caminho sem volta. A seguir, qualificar e delegar as atividades a um especialista com dedicação exclusiva para implementação e acompanhamento, obviamente com o aval de um especialista em contabilidade de custos. Além disso, é preciso estabelecer indicadores de eficiência operacional confrontando o Custo Padrão por teste versus o Custo Realizado, assim como realizar revisões periódicas baseadas nas BPLCs.

O que será abordado no curso que será oferecido no CBAC?
No curso pré-congresso que será realizado no dia 16 de junho no CBAC (Congresso Brasileiro de Análises Clínicas), vamos abordar a importância da gestão de custos de produção e enfatizar o passo a passo para a composição do custo total por exame. Vamos orientar quanto à representação destas informações em um Painel Gerencial e todas as oportunidades e horizontes que se abrem após o conhecimento dos custos de produção para a tomada de decisões seguras, deixando de lado as tomadas de decisões baseadas no feeling do “dono”.

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