Grupo pretende desenvolver projeto nos EUA, em competição de biologia sintética

Um grupo de alunos da UFMG pretende adaptar método de diagnóstico do zika vírus para a detecção eficaz da Paracoccidioidomicose

Pouco conhecida, a Doença de Lutz, ou Paracoccidioidomicose, é uma doença fúngica que provoca lesões nas mucosas, linfonodos, pele e nas glândulas adrenais. É considerada por especialistas a infecção fúngica de maior relevância na América Latina, e o Brasil é um polo endêmico da doença. No entanto, apesar da abrangência, não há um diagnóstico preciso e rápido para a enfermidade, que pode levar até 45 dias para ser detectada.

Para contornar essa dificuldade, um grupo de alunos da UFMG pretende adaptar método de diagnóstico do zika vírus para a detecção eficaz da Paracoccidioidomicose. Os estudantes pretendem apresentar a novidade na International Genetically Engineered Machine Competition (iGEM), competição disputada anualmente no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, nos Estados Unidos.

Como explica Yala Sampaio, gestora do iGEM UFMG, a equipe busca reunir graduandos interessados em participar do concurso. “O iGEM é a maior competição de biologia sintética do mundo, e seu objetivo é prospectar soluções para problemas nas áreas de saúde, meio ambiente e produção de energia”, relata Yala.

Incubadora de protótipos

A ideia de desenvolver um diagnóstico para a Paracoccidioidomicose surgiu em conversas com a professora Raquel Virgínia Rocha Vilela, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFMG. O objetivo é viabilizar um mecanismo de diagnóstico rápido, barato e preciso, capaz de atenuar o quadro endêmico da enfermidade no país.

O grupo recorre ao método Toehold, que já é utilizado para reconhecimento de outras doenças. “Nossa proposta é produzir um sistema biomolecular capaz de identificar o DNA do fungo por meio de uma molécula de RNA. Na presença do fungo, o RNA reagirá induzindo um sinal colorimétrico através de proteínas específicas”, afirma Raquel, lembrando que a competição “funciona como uma espécie de incubadora de protótipos, na qual os participantes terão a oportunidade de desenvolver as propostas submetidas”.

Práticas sociais

Realizada desde 2003, a competição busca estimular soluções para problemas de saúde pública que afligem grandes populações por meio de biologia sintética. Na última edição, foram registrados mais de cinco mil participantes, provenientes de universidades de 44 países.

Para viabilizar a inscrição e o custeio da viagem, os alunos estão arrecadando recursos por meio de campanha on-line. As inscrições encerram-se em 30 de abril, e a competição será realizada de 30 de outubro a 4 de novembro. Segundo Yala Sampaio, a participação da equipe na competição é fundamental para a execução do projeto, que, futuramente, poderá ser incluído no sistema de saúde público.

Tags:

Biologia Sintética, diagnóstico, infecção fúngica, Paracoccidioidomicose

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