Os testes sorológicos, também conhecidos como testes de anticorpos, detectam as respostas do organismo em relação à infecção atual ou anterior, mesmo após o sistema imunológico ter eliminado o vírus

Especialistas nas áreas de microbiologia, epidemiologia, saúde pública, farmacologia e infectologia publicaram a primeira chamada à ação da América Latina com relação ao uso de testes sorológicos para apoiar as políticas de vacinação contra a Covid-19 na região. Como parte dessa chamada à ação, os especialistas propõem dez recomendações destinadas a solucionar as barreiras e desafios atuais para a inclusão de testes sorológicos nas políticas de vacinação contra a Covid-19 da América Latina.

A América Latina é a região que apresenta a maior taxa de fatalidade pela Covid-19 no mundo. À medida que a pandemia da Covid-19 e a implementação de programas ou planos de vacinação avançam, os testes sorológicos tornam-se uma importante ferramenta epidemiológica para avaliar a resposta imune desencadeada pela infecção e pela vacinação, assim como a duração dessa resposta.

Essa informação é fundamental para o planejamento, implementação e monitoramento dos planos de vacinação contra a Covid-19 e das políticas de resposta à pandemia, com o objetivo de reduzir o impacto negativo da crise sanitária na economia dos países da região.

Os testes sorológicos, também conhecidos como testes de anticorpos, detectam as respostas do organismo em relação à infecção atual ou anterior, mesmo após o sistema imunológico ter eliminado o vírus. Este tipo de teste permite avaliar se o organismo produziu anticorpos após exposição ao vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19.

No contexto da pandemia da Covid-19, órgãos de saúde regionais e globais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em geral reconhecem o valor dos testes sorológicos para fins de vigilância e pesquisa. No entanto, não há consenso sobre o uso de testes sorológicos para entender a robustez e a durabilidade da resposta imune, principalmente após a vacinação.

Essa chamada à ação destaca a necessidade de criação de diretrizes abrangentes para o uso dos testes sorológicos de SARS-CoV-2 na América Latina. Esse documento pretende apoiar a tomada de decisão oportuna em relação ao uso de testes sorológicos e conscientizar sobre seus benefícios.

Reconhecendo a diversidade socioeconômica da região, essa chamada à ação apresenta recomendações que os tomadores de decisão sobre políticas de saúde que atuem em nível internacional, nacional ou local podem usar, de acordo com suas necessidades, prioridades e recursos.

Entretanto, evidências e estudos adicionais são necessários para que os testes sorológicos possam ser usados ​​em todo o seu potencial para informar decisões de políticas públicas em custo, médio e longo prazos. Os autores estão convencidos de que essa chamada à ação pode promover o compromisso e a colaboração entre atores privados e públicos, academia e comunidades internacionais para resolver as lacunas no conhecimento sobre a resposta imune e os correlatos de proteção. (Um correlato de proteção é uma medida – um marcador imunológico – usado para predizer com segurança a proteção contra a doença ou infecção.)

Notas ao editor

Quando o teste sorológico é recomendado?

Os testes sorológicos têm por função detectar anticorpos dias ou semanas após a infecção aguda. A presença de anticorpos indica que uma pessoa foi infectada com SARS-CoV-2, independentemente de o indivíduo apresentar sintomas graves, leves ou nenhum sintoma.

Para tanto, os dados sorológicos têm um papel importante na resposta contra a pandemia da Covid-19, particularmente nas atividades de monitoramento da infecção e pesquisa, permitindo estimar variáveis ​​epidemiológicas. Ao mesmo tempo, os testes sorológicos permitem avaliar o impacto das intervenções de saúde pública em nível populacional, a eficácia e efetividade da vacina e a resposta imune desencadeada tanto pela vacinação como pela infecção natural.

Os testes sorológicos não devem substituir o teste molecular (PCR) para diagnóstico. Ainda assim, podem ser utilizados como ferramenta complementar na interpretação dos resultados de outros testes, combinados com o conhecimento da situação clínica e epidemiológica. Os anticorpos podem ser detectados a partir de uma a três semanas após a infecção e até pelo menos seis meses após a infecção.

Como essa chamada à ação foi desenvolvida?

A chamada à ação inclui uma revisão de evidências e políticas, tanto regionais como locais, que foi compilada em um documento gerado a partir de uma série de sessões virtuais de discussão com um grupo de cinco especialistas. Esses especialistas foram selecionados com base na experiência acadêmica em diferentes áreas do conhecimento, a saber: microbiologia, epidemiologia, saúde pública, farmacologia e infectologia. Uma compreensão aprofundada sobre testes sorológicos, políticas de imunização e a atual pandemia da Covid-19 foi considerada essencial, enquanto a experiência em soroprevalência, soroepidemiologia e estudos pós-comercialização de efetividade de vacinas foi considerada uma vantagem.

Para desenvolver a chamada à ação, foi realizada uma revisão de material relevante de nível regional e de cinco países em foco (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México). As informações foram coletadas e analisadas entre 1º de abril e 24 de junho de 2021. O material coletado foi priorizado levando-se em consideração os seguintes critérios de inclusão:

– As perspectivas científicas sobre estratégias de teste SARS-CoV-2, incluindo desafios e oportunidades,

– O impacto da pandemia em relação à saúde e a aspectos socioeconômicos na região,

– O posicionamento atual, as diretrizes e as recomendações de uso de testagem sorológica das principais organizações internacionais e países em foco,

– O progresso na implementação e cobertura da imunização contra a Covid-19 nos países em foco, e

– Os planos e/ou estratégias de imunização nacional contra a Covid-19 dos países em foco.

A informação coletada foi discutida, revisada e validada por todos os especialistas durante três sessões online do painel.

Interesse dos laboratórios Abbott em desenvolver esta chamada à ação

As sessões online para discutir e finalizar a chamada à ação foram subsidiadas pelos laboratórios Abbott. Os financiadores patrocinaram uma agência de consultoria externa para facilitar as sessões e coordenar a elaboração do documento, no entanto não participaram da agenda das sessões online, nem no desenho ou no desenvolvimento do documento.

A Abbott está comprometida em apoiar a luta contra a atual crise de saúde, assim como a preparação para enfrentamento de possíveis emergências ou crises sanitárias futuras. A Abbott colabora com os setores público e acadêmico para fornecer recursos e experiência necessários, tendo a saúde e o bem-estar das pessoas e da sociedade como seu objetivo principal.

Clique aqui para ler o artigo traduzido, que teve a participação de dois médicos brasileiros: Dr. Carlos Eduardo dos Santos Ferreira e Dra. Nancy Cristina Junqueira Bellei.

Tags:

Abbott, chamada à ação, políticas de vacinação contra a Covid-19, resposta imune, testes sorológicos

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