Técnica usa adesivo sobre a pele com eletrodos e sensores

Patricia Connolly

Bebês prematuros precisam ter os níveis de eletrólitos monitorados com frequência, principalmente quando nascem com alguma doença.

Atualmente, a medição de eletrólitos como glicose, lactato, sódio e potássio é feita através da análise de amostras de sangue coletadas diversas vezes ao dia. Esse procedimento representa desconforto e riscos para o bebê, que está vulnerável na UTI neonatal.

Uma equipe do hospital da University of Strathclyde, em Glasgow (Escócia), desenvolveu um dispositivo que dispensa a coleta de sangue. Os níveis de eletrólitos são medidos através de um adesivo aplicado sobre a pele do recém-nascido.

“Muitas das moléculas e íons dos eletrólitos podem ser detectadas na pele. Nossa tecnologia utiliza um tipo especial de eletrodos de gel e sensores que conseguem medir os níveis”, explica a médica Patricia Conolly, que participa da pesquisa e é professora no curso de Engenharia Biomédica de Strathclyde. Depois de capturar as informações, os sensores enviam os dados para um dispositivo de testes laboratoriais remotos (TLR), onde são lidos e analisados.

O adesivo usado no estudo é aplicado sobre a pele do estômago e trocado a cada 24 horas. Os resultados são fornecidos em tempo real.

“No momento, fazemos testes com medição de glicose e lactato e comparamos os resultados com os níveis medidos em amostras de sangue coletadas rotineiramente pela técnica tradicional. Pretendemos mostrar que o que medimos através da pele pode ser calibrado com o que está no sangue”, acrescenta Connolly.

Transmissão sem fio

Neil Patel, Helen McDevitt, Patricia Connolly

A pediatra Helen McDevitt, que também participa do estudo, diz que simultaneamente aos testes de medição, a equipe trabalha em um protótipo de equipamento em que os sensores transmitem os dados para o equipamento de TLR através de bluetooth ou outro método sem fio.

“Se os resultados do estudo no hospital forem favoráveis, está aberto o caminho para dispositivos portáteis que podem monitorar as condições de prematuros através da pele, sem a necessidade de coletar sangue nem retirá-los da incubadora na UTI neonatal. Essa técnica também poderá ser usada em locais com poucos recursos e que não possuem equipamentos médicos adequados”, acrescenta McDevitt.

Risco menor

De acordo com o pediatra Neil Patel, que participa do estudo em Strathclyde, a coleta de sangue através de uma veia ou picada no calcanhar representa desconforto para o recém-nascido a curto prazo, mas também pode ter consequências futuras.

“Qualquer dor ou angústia causada por esse procedimento pode afetar  o desenvolvimento das vias neurológicas do cérebro do bebê a longo prazo”, diz o médico.

Ele explica que, em alguns casos, é necessário coletar sangue de quatro a cinco vezes por dia ou de hora em hora, quando o recém-nascido apresenta níveis instáveis de glicose. Nessas situações, existe um risco real de ser necessário fazer transfusões de sangue devido ao esgotamento dos volumes sanguíneos do bebê.

Prematuros no mundo

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, a cada ano, em todo o mundo, 30 milhões de bebês nascem prematuros ou com baixo peso ou, ainda, adoecem logo nos primeiros dias de vida. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 10% dos que nascem a cada ano são prematuros.

De acordo com o relatório Survive and Thrive: Transforming care for every small and sick newborn, publicado em dezembro de 2018 pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês), cerca de 2,5 milhões de recém-nascidos em 2017 morreram nos primeiros 28 dias após o parto, a maioria por causas evitáveis. Aproximadamente, 80% desses bebês tinham baixo peso ao nascer, e 65% deles eram prematuros.

Segundo o documento, a cada ano, cerca de 1 milhão de recém-nascidos com baixo peso e infecções sobrevivem no início de suas vidas mas apresentam algum tipo de deficiência, incluindo paralisia cerebral e problemas cognitivos. Com cuidados integrais, esses bebês poderiam viver sem maiores complicações.

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adesivo, Bebês prematuros, eletrólitos, Testes Laboratoriais Remotos

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