Período da quarentena é importante para prevenção de enfermidades provocadas por arboviroses

A dengue não é a única arbovirose em circulação no Brasil. Outras enfermidades desse grupo, transmitidas também pelo mosquito Aedes aegypti, são frequentes

Apesar de todas as atenções estarem voltadas ao novo coronavírus neste momento, a população não deve se descuidar da ameaça das arboviroses – doenças cuja incidência de casos vem crescendo anualmente, principalmente nesta época, segundo o Ministério da Saúde. Apenas nas 12 primeiras semanas deste ano, o Ministério da Saúde registrou 441.224 casos (taxa de incidência de 209,9 casos por 100 mil habitantes) de dengue no país. A região Centro-Oeste apresentou 499,6 casos/100 mil habitantes, em seguida as regiões Sul (476,1 casos/100 mil habitantes), Sudeste (199,4 casos/100 mil habitantes), Norte (68,3 casos/100 mil habitantes) e Nordeste (49,5 casos/100 mil habitantes). Neste cenário, destacam-se os estados do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Paraná.

O mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, é extremamente urbano e 90% de seus criadouros se encontram no ambiente domiciliar. Neste período de isolamento social, é importante combater a proliferação para evitar novos casos. Os sintomas da dengue são febre, fraqueza, dor no corpo e ao redor dos olhos, na cabeça e nas articulações, náuseas e vômitos, e manchas avermelhadas na pele.

Mas, apesar de ser a mais comum, a dengue não é a única arbovirose em circulação no Brasil. Outras enfermidades desse grupo, transmitidas também pelo mosquito Aedes aegypti, são frequentes. É o caso da febre amarela urbana (incomum no Brasil), febre chikungunya e zika vírus, cujos sintomas semelhantes aos da dengue dificultam o diagnóstico. Para essas, ainda não há vacinas, mas existem dois tipos de testes que auxiliam na identificação das doenças.

Os testes moleculares detectam o material genético do vírus e são considerados padrão ouro para diagnóstico das arboviroses. Entretanto, para cada doença, existe uma limitação do período em que o vírus circula no sangue. Já os testes sorológicos avaliam a produção de anticorpos do paciente contra a agressão. Mas não são tão específicos, o que gera mais chances de resultado falso-positivo e negativo.

Duas novas arboviroses

Dados epidemiológicos mostram o aparecimento de outras duas arboviroses com sintomas igualmente parecidos, com casos já identificados na América Central, Bolívia, Peru, na Floresta Amazônica e no Nordeste do Brasil. Os pesquisadores alertam para um possível alastramento para as áreas mais populosas do país.

Estima-se que o vírus Oropouche, transmitido pelo mosquito Culicoides paraenses, tenha afetado mais de meio milhão de pessoas causando a Febre Oropouche. Entretanto, o número exato de casos ainda é difícil de determinar devido à similaridade dos sintomas com as outras arboviroses. Essa doença pode provocar, ainda, meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningoencefalite).

Já o vírus Mayaro pode ser transmitido pelos mosquitos Aedes albopictus e Aedes aegypti e causar a Febre do Mayaro, uma doença autolimitante aguda febril (com duração de três a cinco dias), caracterizada por dor de cabeça frontal, dor retro-orbital, artrite, “rash”, que pode progredir para uma severa e prolongada artralgia.

Segundo a Coordenadora do Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, Danielle Zauli, pela semelhança dos sintomas, é difícil diferenciar um vírus do outro e pode haver subnotificação dos casos. Para diagnosticar corretamente essas doenças, a área de P&D do Pardini desenvolveu in house exames moleculares. Validados no ano passado, os testes rápidos possuem alta sensibilidade para detecção desses vírus em amostras de soro/plasma de pacientes com suspeita clínica da infecção.

De acordo com Danielle Zauli, no Brasil, não há surto de nenhuma das duas doenças. No entanto, como há a preocupação de especialistas de que ambos os vírus (Oropouche e Mayaro) possam atingir áreas populosas, é fundamental que o laboratório esteja pronto para dar uma rápida resposta. “Pode ser que o surto não venha. Mas, se vier, estamos preparados. Se a validação do teste só fosse feita após o surgimento da epidemia, perderíamos muito tempo até desenvolvê-lo”, enfatiza.

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Aedes aegypti, arboviroses, Grupo Pardini, testes moleculares

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