Sistema fechado de coleta de sangue por técnica de aspiração garante drástica diminuição de hemólise do que sistema a vácuo convencional

Quem trabalha com pré-analítico enfrenta, diariamente, diversos desafios. O maior pesadelo de um setor de coleta de sangue é a recoleta. Muitos motivos estão relacionados com a necessidade de coletar sangue novamente de um paciente como: hemólise, coagulação indesejada, volume insuficiente de amostra, etc.

Dentre todas as causas de rejeição de amostra, a mais relevante é, sem dúvida, a hemólise1,2, que se caracteriza pela ruptura dos eritrócitos, mais comumente conhecidos como hemácias. Ao se romperem, o conteúdo interno dessas células é liberado ao meio extracelular, influenciando diretamente os resultados das análises laboratoriais3.

Segundo o manual da SBPC/ML de 20184: “Mesmo que discreta, a hemólise tem alto impacto em alguns analitos, como a troponina. Entretanto, quando a intensidade da hemólise é maior, pode haver aumento de algumas enzimas, como aldolase, fosfatase alcalina, lactato desidrogenase (DHL), aspartato transaminase (AST), potássio, magnésio e outras, causando a rejeição da amostra. Se o fato não for percebido durante a análise, o laboratório poderá liberar resultados com grandes alterações, que não refletem o quadro do paciente”.

Somado a isso, sabe-se que aproximadamente 50% das recoletas nos setores de emergência hospitalares se deve a hemólise5,6, o que mostra a importância cada vez maior do desenvolvimento de estratégias para diminuição desse viés, uma vez que 70% das decisões terapêuticas dependem dos resultados clínicos6.

As causas da ruptura celular de hemácias variam entre coleta aberta com seringas (já que a transferência da amostra para o tubo gera uma pressão muito alta nas células), escolha de material inadequado para o procedimento (vácuo convencional causa um stress mecânico muito forte, o que por sua vez, leva ao rompimento celular), preenchimento incorreto do volume do tubo (já que a proporção incorreta entre aditivos e sangue pode também causar hemólise) e homogeneização vigorosa do tubo7.

A Sarstedt entrou no mercado com o grande objetivo de inovar, com tecnologias que diminuem os vieses da coleta de sangue como um todo, não só a hemólise. Assim nasceu o sistema S-Monovette® de tubos para coleta de sangue, com técnica híbrida por aspiração ou “fresh vacuum” no mesmo dispositivo. Com essa dupla função, os tubos S-Monovette® permitem que o profissional decida qual a melhor opção de acordo com as condições do paciente, momentos antes de realizar a punção.

A função de coleta por aspiração simula uma seringa, porém em um sistema totalmente fechado garantindo maior segurança tanto para o profissional quanto para o paciente, além de dispensar a transferência de amostra e oferecer ao coletador o controle total do fluxo sanguíneo. Esse controle gera redução significativa do estresse mecânico causado nas células, o que por sua vez, reduz drasticamente a hemólise. Há estudos que comprovam que a utilização da coleta por aspiração reduz consideravelmente as chances da amostra hemolisar8,9,10.

Mesmo se a escolha da coleta for por técnica a vácuo, em pacientes de fácil acesso por exemplo, o sistema S-Monovette® também conta com essa possibilidade. O grande diferencial é que o profissional irá gerar o vácuo no interior do tubo momentos antes da coleta, com uma simples manipulação do êmbolo. Nesta opção, a pressão negativa interna é até 10 vezes menor quando comparada ao tubo a vácuo convencional. Essa diminuição, consequentemente, gera menor stress mecânico das hemácias durante a coleta, diminuindo portanto, a ruptura dessas células.

Outro benefício do sistema S-Monovette® é a variedade de tamanho dos tubos, sendo que a linha inicia-se com volumes pediátricos a partir em 1,1ml. As coletas adultas iniciam em 2,6ml, sendo que os tubos possuem as mesmas dimensões dos de volumes maiores, garantindo a análise laboratorial automatizada com menor volume de sangue coletado, o que mantém a integridade do paciente, agiliza diagnósticos e tomada de decisões clínicas. Esse conceito de redução do volume coletado é conhecido como PBM – Patient Blood Management (gerenciamento de volume de sangue do paciente) e já é bastante difundido nos Estados Unidos e Europa11.

Dessa forma, as soluções desenvolvidas pela Sarstedt envolvem avanços desde a segurança do paciente e do coletador até a melhoria do fluxo interno laboratorial. Afinal de contas, a melhor coleta é aquela feita na medida certa e que não precisa ser repetida.

Referências Bibliográficas

1. Simundic AM, Topic E, Nikolac N, Lippi G. Hemolysis detection and management of hemolysed specimens. Biochem Med 2010;20:154-9.

2. Lippi G, Plebani M. Continuous-Flow Automation and Hemolysis Index: A Crucial Combination. J Lab Autom 2012 Jun 19.

3. Wollowitz A1, Bijur PE, Esses D, John Gallagher E. Use of Butterfly Needles to Draw Blood Is Independently Associated With Marked Reduction in Hemolysis Compared to Intravenous Catheter. Acad Emerg Med. 2013 Nov;20(11):1151-5. doi: 10.1111/acem.12245.

4. Recomendações da sociedade brasileira de patologia clínica/medicina laboratorial (SBPC/ML) : fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais / Adagmar Andriolo … [et al.] ; organização Nairo Massakazu Sumita … [et al.] – 1. ed. – Barueri [SP] : Manole, 2018.

5. Azadeh Stark, PhD; Bruce A. Jones, MD; Deborah Chapman, JD, MT; Karen Well, BS; Richard Krajenta, MT; Frederick A. Meier, MD; Richard J. Zarbo, MD, DMD Clinical Laboratory specimen Rejection—Association With the Site of Patient are and Patients’ Characteristics. Arch Patho Lab Med 2007;131(4):588-92.

6. Lippi G, et al. Preanalytical variability: the dark side of the moon in laboratory testing. Clin Chem Lab Med 2006;44(4):358–365.

7. Grant MS. The effect of blood drawing techniques and equipment on the hemolysis of ED laboratory blood samples. J Emerg Nurs. 2003; 29: 116– 21.

8. Lippi G1, Avanzini P, Musa R, Sandei F, Aloe R, Cervellin G. Evaluation of sample hemolysis in blood collected by S-Monovette® using vacuum or aspiration mode. Biochem Med (Zagreb). 2013;23(1):64-9.

9. Ayşem Kaya1 and Evin Ademoğlu2. Comparison of Hemolysis Rate Between Becton Dickinson and S-Monovette-Sarstedt Serum Separator Tubes. Istanbul University, Institute of Cardiology, Laboratory of Biochemistry1 and Istanbul Medical Faculty, Department of Biochemistry2, Istanbul Turkey.

10. F. J. Merida, N. Bel, A. Pino, E. Moreno, M. Perez. Influence of a combined collection method on hemolysis. Laboratorio Clínico . Área Sanitaria Serranía de Málaga. Ronda Málaga, Spain. Poster presented on AACC Annual Meeting, 2012.

11. Sanchez-Giron and Alvarez-Mora. Reduction of Blood Loss from Laboratory Testing in Hospitalized Adult Patients Using Small-Volume (Pediatric) Tubes. Arch Pathol Lab Medicine, Vol. 132, 2008, 1916-1919.

Tags:

hemólise, pré-analítico, recoleta, Sarstedt, sistema S-Monovette®

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