Grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco desenvolveu uma estrutura de nanopartículas a partir da goma de cajueiro para administração oral da insulina, a fim de evitar os desconfortos causados pelas doses de injeções diárias pelos quais passam muitos dos diabéticos

A goma de cajueiro é um biopolímero obtido das árvores e regularmente usada nas indústrias de alimentos e medicamentos

Por Milena Tutumi

Para milhões de pessoas no mundo, as injeções de insulina são parte da rotina diária, muitas aplicam suas injeções sozinhas e seguem com suas vidas normalmente. Mas para muitos diabéticos, as injeções são uma parte desconfortável da vida, podendo interromper seus compromissos rotineiros ou mesmo causar dor. Isso pode acontecer mesmo com os métodos diferentes de insulina injetável, como seringas, canetas e bombas.

Mas os pesquisadores estão procurando métodos de administrar a droga que possam evitar a dor de alguns e seus efeitos colaterais. Se a medicação entrasse na corrente sanguínea por meio de uma pílula seria a melhor opção para o paciente. A recente publicação na Revista Matéria (Rio de Janeiro)1, mostrou que a insulina oral está um passo mais próximo de acontecer.

Vencendo as barreiras do corpo humano

É relativamente mais fácil fazer uma pílula ou cápsula contendo uma dose de insulina para ser utilizada oralmente. E a administração oral da insulina provavelmente seria mais conveniente e faria melhor psicologicamente aos diabéticos. O problema é fazer a correta dosagem de insulina chegar à corrente sanguínea quando necessário devido às barreiras do corpo humano.

A via digestiva, apesar de ideal para absorver a droga, tem alguns problemas. Os sucos digestivos podem quebrar a insulina antes da sua penetração nas paredes do estômago, o que é um problema devido à espessura da parede do estômago e ao trato intestinal adiposo com baixa permeabilidade. Dessa forma, o uso de comprimidos simples pode fornecer níveis imprevisíveis de insulina devido a esse ambiente estomacal, sendo ineficazes para o controle da doença.

Nanopartículas na administração da droga

Uma das respostas para o problema da administração oral da insulina poderia ser o uso de nanopartículas e biopolímeros que incorporem a insulina. Nanopartículas poderiam proteger a insulina dos sucos gástricos e ajudá-la a atravessar as paredes do trato digestivo entregando de forma segura a insulina ao sangue. No estudo referenciado acima, os pesquisadores investigaram o uso de um polissacarídeo comumente utilizado, a goma de cajueiro, para construir a nanoestrutura do sistema de administração da insulina.

A goma de cajueiro é um biopolímero obtido das árvores e regularmente usada nas indústrias de alimentos e medicamentos. A equipe usou a cromatografia entre outras técnicas para caracterizar essa goma e obter o seu peso molecular. O uso da cromatografia para analisar biomoléculas foi discutido no artigo HILIC Flash Purification – Separation of Polar Pharmaceuticals on Silica2.

Os métodos utilizados permitiram à equipe analisar a goma de cajueiro, purificá-la e caracterizá-la com sucesso. As nanopartículas foram fabricadas e classificadas como a promessa de formulação para a administração oral da insulina usando biopolímeros. A esperança é que em poucos anos, injeções de insulina possam ser totalmente desconsideradas.

Referências

1. https://revistas.ufrj.br/index.php/rm/article/view/29641/16678

2. https://www.chromatographytoday.com/article/electrophoretic-separations/35/novartis/hilic-flash-purification-ndash-separation-of-polar-pharmaceuticals-on-silica/2597

3. https://www.chromatographytoday.com/news/bioanalytical/40/breaking-news/how-cashew-gum-can-help-with-insulin-delivery/50562

Tags:

biopolímeros, diabéticos, goma de cajueiro, insulina, insulina oral, nanopartículas

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