Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune causada por uma intolerância permanente ao glúten, mais especificamente, à sua fração proteica chamada gliadina e caracteriza-se por uma inflamação crônica no intestino.

Nos indivíduos predispostos geneticamente, os resíduos do glúten que atingem a parede intestinal estimulam uma reação do sistema imunológico que ataca as células da parede do intestino, causando uma lesão grave. A longo prazo, as vilosidades (múltiplas saliências) presentes no intestino se atrofiam causando deficiência na absorção de nutrientes dos alimentos.

O processo de absorção de nutrientes é complexo e diversos órgãos e sistemas trabalham em conjunto para realizar essa atividade. Mas é no intestino que ocorre a maior parte da absorção sendo possível graças às vilosidades, que aumentam a superfície de contato do intestino, tornando-o muito mais sensível e apto a incorporar todos os nutrientes na corrente sanguínea.

A DC acaba por danificar essas estruturas, tornando-as parcial ou totalmente incapazes de absorver os nutrientes.

Um dos problemas da doença celíaca é explicar os sintomas. A doença não apresenta necessariamente os mesmos sinais em indivíduos diferentes e os sintomas podem estar relacionados a outras doenças, além de, existir a doença celíaca na forma assintomática.

Além dos sintomas intestinais (diarreia, prisão de ventre, dor abdominal, vômitos) a doença por interferir diretamente na absorção de nutrientes, pode afetar o organismo de forma generalizada, causando fadiga, osteoporose, irritabilidade, anemia e depressão.

A DC é um problema de ordem mundial em decorrência da alta prevalência, aproximadamente 1:100-300 pessoas em todo o mundo. No Brasil, os dados estatísticos oficiais são desconhecidos, mas estima-se que existam 300 mil portadores da doença, com maior incidência na região sudeste e em mulheres, na proporção de 2:1. Os indivíduos de cor branca e as crianças de seis meses a cinco anos são os grupos predominantes.

O diagnóstico da doença celíaca é realizado pela clínica exibida pelo paciente, pelos exames laboratoriais e confirmado pela histologia da mucosa intestinal.

Os testes sorológicos possibilitam o diagnóstico rápido da forma atípica (não clássica), forma típica (clássica) e assintomáticas da doença. Em alguns casos, evita utilizar os métodos invasivos de diagnóstico e, além disso, permitem o monitoramento da adesão do paciente à dieta sem glúten e detectar as transgressões à dieta.

Os marcadores sorológicos utilizados são os anticorpos antigliadina, os anticorpos antiendomísio e os anticorpos antitransglutaminase (TTG).

Com relação ao anticorpo antigliadina, determinado pela técnica de ELISA, a especificidade do anticorpo da classe IgA é maior do que da classe IgG, sendo a sensibilidade extremamente variável em ambas as classes.

O anticorpo antiendomísio da classe IgA é identificado por meio de imunofluorescência indireta. Apresenta alta sensibilidade e especificidade em adultos e em crianças maiores de dois anos. Entretanto, apresenta pior relação custo/benefício e técnica mais trabalhosa.

A ressalva a ser feita em relação a tal exame é para os pacientes com deficiência de IgA, o que ocorre em cerca de 1,7-2,6% dos pacientes com DC, podendo gerar resultados falsos-negativos.

Com relação ao TTG da classe IgA, tem elevada sensibilidade e especificidade em crianças e adultos.

A TTG está entre as famílias de enzimas que necessitam de cálcio e que catalisam a formação de proteínas. A TTG está extensamente distribuída no corpo humano. Quando há um dano tecidual — no caso da mucosa intestinal das pessoas com doença celíaca não tratada — os níveis de TTG aumentam.

A TTG é considerada um importante marcador sorológico tanto para diagnóstico da doença quanto para monitorar o tratamento, já que os valores normalizam de 6 a 12 meses após iniciada a dieta sem glúten.

Portanto, existe uma superioridade dos testes para determinação de anticorpo antiendomísio e do TTG, ambos da classe IgA, principalmente o TTG recombinante humana IgA, em relação ao teste para antigliadina.

Considerando a maior facilidade da dosagem do TTG, aliado a elevadas sensibilidade e especificidade na população pediátrica e adulta, este é o teste sorológico de escolha para avaliação inicial dos indivíduos com suspeita de intolerância ao glúten.

O diagnóstico precoce é extremamente importante pois auxilia na melhoria da qualidade de vida do paciente e reduz os riscos da doença não tratada em longo prazo.

A ECO Diagnóstica agregou ao portfólio o kit CD-1 ECO Teste para a detecção de anticorpos (IgA/IgG/IgM) anti-transglutaminase tecidual humano e o kit CD-2 ECO Teste para a detecção de anticorpos anti-gliadina e anti-transglutaminase tecidual humana em amostras de sangue total venoso e capilar, soro e plasma.

O CD-2 ECO teste é especialmente indicado para pacientes pediátricos (até 16 anos), pois crianças até dois anos não produzem anticorpos anti-TTG.

Ambos os kits são completos com a pipeta capilar e o tampão diluente e liberam o resultado em 10 minutos.

Mais informações:  (31) 3653-2025/ [email protected].

Fontes:

– Portaria SAS/MS n°1149, de 11 de novembro de 2015. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Doença Celíaca.
– Campos, C.G.P, et all. Doença Celíaca e o conhecimento dos profissionais de saúde da atenção primária. R. Saúde Pública. 2018, Dez. 1(2): 54-62.
– Liu, S.M. Doença Celíaca. Ver. Med. Minas Gerais 2014; 24 (Supl 2): S38-S45.

Tags:

doença celíaca, ECO Diagnóstica, glúten, marcadores sorológicos

Compartilhe: