Durante o segundo Congresso Virtual da Sociedade Brasileira de Medicina Laboratorial/Patologia Clínica (SBPC/ML), que aconteceu entre os dias 7 e 11 de setembro, as discussões em torno do tema “Desafios laboratoriais do século XXI” trouxe significativos olhares e perspectivas sobre a jornada dos laboratórios de diagnóstico  

Por Milena Tutumi

O conforto insuperável do atendimento em casa

Com um crescimento estimado entre 70-80% ao ano, a telemedicina ganhou força na pandemia. O médico Eduardo Cordioli, gerente médico de Telemedicina do Hospital Albert Einstein e coordenador do curso em Formação Digital, enfatizou que a teleatenção foi essencial para manter os serviços de saúde em funcionamento. Também na posição de presidente da  Associação Saúde Digital Brasil, Cordioli mencionou que mais de 6,6 milhões de idas ao pronto atendimento foram evitadas durante a pandemia por conta dos atendimentos realizados pelas empresas que fazem parte da Associação. Em números de consultas, isso significa cerca de mais de 10 milhões de consultas em 2021.

Outros dados apresentados revelam que em 2015, nos Estados Unidos, 5% dos médicos atendiam virtualmente. Em 2019, esse número foi para 22%. Além disso, as pesquisas mostram que 64 milhões de americanos trocariam o atendimento presencial pela telemedicina. Vale ressaltar que, de acordo com o Dr. Cordioli, essas informações foram levantadas antes da pandemia.

O especialista enfatizou que o sistema de saúde brasileiro está em um momento que necessita melhorar a experiência em telesaúde, especialmente a forma como se entrega saúde atualmente, e isso segue interligado ao laboratório clínico. “Está acontecendo uma migração do hospital centralizado ou grande laboratório clínico para ambientes descentralizados”, comentou. “Anteriormente, o paciente esperava ficar doente para ir ao médico, que o encaminhava ao hospital ou ao grande laboratório clínico. Em uma fase seguinte, os laboratórios aumentaram a sua rede de capilaridade, passando por uma descentralização, oferecendo redes e postos de coleta, aumentando a proximidade com o médico e o paciente”. Cordioli explicou que estamos em uma terceira fase, em que  o cuidado é distribuído, “precisaremos estar onde o paciente estiver, cada casa, cada local de trabalho”.

Exames remotos e os testes Point-of-Care

A emergente demanda pelas coletas domiciliares tem implicado no uso mais recorrente dos testes Point-of-Care. “Cada vez mais será o desejo de um médico poder fazer em consultório um teste na hora, que ofereça respostas rápidas, porque o paciente vai desejar isso também”, visualiza o médico. Em outro cenário, há o paciente com um dispositivo próprio como, por exemplo, os portadores de doenças crônicas que necessitam fazer acompanhamentos rotineiros, como no caso de uma glicemia. “Um laboratório pode oferecer segurança, garantindo a qualidade supervisionando e oferecendo a manutenção desses dispositivos”, acrescentou.

As novas demandas também incluem a medicina de imagem, que precisa estar mais perto do paciente. Cordioli diz que hoje há dispositivos portáteis, como um ultrassom conectado a aparelhos de telefone celular com custos baixos e totalmente viável operacionalmente.

Atendimento “figital’ e os conceitos em saúde digital

Entre os diversos modelos de atendimento em telesaúde, há um conceito híbrido em que  o paciente inicia o teleatendimento na plataforma digital, mas pode migrar para o físico, visto a necessidade de pessoas para coletar exames e eventualmente fazer ajustes em medicações.

O Dr. Eduardo Cordioli explicou que a telemedicina pode ser executada nas seguintes formas:

Teleconsulta: refere-se ao atendimento direto ao paciente.

Telemedicina síncrona entre médicos: é a teleinterconsulta, que envolve o laboratório diretamente com o médico solicitante dos exames para tirar dúvidas, aprofundar questões. Promove a fidelização entre médico e laboratório.

Telemedicina assíncrona: quando o laboratório envia uma análise da informação e a devolutiva.

Telemonitoramento: estabelece parâmetros aos pacientes que, quando são atingidos, geram alguma ação de tratamento

Mobile E-health: há monitoramento, mas sem parâmetros para uma ação de tratamento. Os dados são extraídos periodicamente para análise.

O especialista pontuou que a saúde digital é um modelo muito extenso, que engloba várias cadeias, sendo que a telemedicina é apenas uma delas, indo além de atendimento por meio de plataformas digitais. O acesso é um grande benefício da telemedicina que, por suas características inerentes, quebra as barreiras geográficas. Cordioli enxerga além: “Proporciona a equidade, ou seja, mais para quem precisa de mais e menos para quem precisa de menos. Usamos os dados digitais, tiramos insights, melhoramos o sistema e a saúde da população como um todo”.

A era da Internet de tudo

Com o advento do 5G, mais benefícios em saúde digital poderão ser alcançados. “A latência entre a comunicação será praticamente zerada. A conexão entre diversos devices permitirão cirurgias à distância de forma segura e poderemos utilizar com mais efetividade a Internet das Coisas Médicas – Internet of Medical Things (IoMT) – colhendo dados o tempo todo do paciente”, ressaltou o Presidente da Associação Saúde Digital Brasil.

A medicina, o diagnóstico e a saúde como um todo caminham para a era da IoE – Internet de tudo, do inglês Internet of Everything. Isso significa que todos os dados, processos e pessoas estarão conectados a fim de gerar insights e melhor o sistema.

Os patologistas no mundo digital

Frente à extensão do Brasil, há patologistas de menos para atender a toda a população. O Dr. Eduardo Cordioli chamou a atenção para o uso dos serviços digitais na patologia clínica, principalmente para a abrangência, que é diretamente impactada pelo uso da telepatologia.

Compartilhe: