Por Milena Tutumi

As primeiras semanas da pandemia de Covid-19 foram de muitas incertezas para diversos setores da economia, com muitas empresas tomando drásticas medidas de contenção. Entretanto, o novo comportamento determinado à sociedade levou os laboratórios de diagnóstico a acelerarem projetos que estavam engavetados e impulsionou as fornecedoras de tecnologia a desenvolverem soluções para atender a essas novas demandas. E tudo isso em tempo recorde.

Desde 23 de março com a equipe trabalhando remotamente, era esperado pela Hotsoft uma redução na demanda de atendimentos aos clientes durante a pandemia, entretanto, o que aconteceu foram novas solicitações, que incluíam aperfeiçoamento na usabilidade, treinamentos em novas ferramentas e aquisição de novos recursos. Além disso, por trabalharem com um modelo comercial totalmente maleável, desenvolvido para acompanhar as oscilações de volume de exames nos laboratórios, o cliente pode reduzir ou aumentar proporcionalmente seu investimento com o LIS: “Esta situação foi fundamental para manter a tranquilidade dos nossos clientes, pois continuaram com todos os benefícios e não foi necessário renegociar contratos ou mensalidade”, comentou o Diretor de Negócios, Carlos Toshio Mori Jr., sobre a redução no movimento de pacientes que acometeu os laboratórios no início da pandemia.

Para driblar custos e tempo, a implantação 100% remota já faz parte do portfólio de serviços da Hotsoft há algum tempo, e esse serviço com certeza fez a diferença em tempos de pandemia e tem sido fator determinante nas decisões dos laboratórios que os procuram atualmente. Mori Jr. cita um case recente concluído em 15 dias para um laboratório em Parauapebas (PA). A solução instalada permitiu ao cliente atender mais de 1.300 sistemas por dia no sistema drive-thru, realizando principalmente exames de Covid-19 por PCR, com dois equipamentos interfaceados e entrega do laudo para o dia seguinte.

Com a impossibilidade de realizar os serviços in loco, as vendas praticamente congeladas e a demanda pelos serviços eletivos de saúde em queda considerável, como revelou Marcelo Lorencini, Fundador e CEO da Shift, as demandas de TI também sofreram impactos. Para reverter a situação, a empresa transformou a sua expertise em instrumento de apoio aos seus clientes. O executivo reconhece o “poder” da tecnologia em tempos de pandemia como a ferramenta fundamental para apoiar todo o mercado a enfrentar a crise, garantindo operações sem desperdício, conhecimento para tomada de decisão e diferenciação na viabilização de serviços em tempos de isolamento físico.

Nesse contexto, a Shift promoveu ações inovadoras, como liberar o aplicativo Onlife para todos os clientes. Trata-se de uma plataforma desenvolvida para aproximar laboratórios de seus pacientes a partir de uma melhor experiência, oferecendo facilidades com mais autonomia, mobilidade e agilidade no atendimento.

A empresa também disponibiliza cursos online e gratuitos para todos os clientes, alinhados às suas necessidades de treinamento, que já acumulam mais de 600 participantes de laboratórios de todo o Brasil e mais de 20 horas de aulas técnicas. “Também atuamos com conteúdos de apoio, realizando webinars com especialistas do setor, provando reflexões e alternativas de sustentação. Hoje, a demanda do setor mostra uma tendência a demandas chegando próximas às anteriores à pandemia, com diferentes resultados em diferentes regiões do país. Parte deste resultado é pela criatividade no atendimento, no retorno de parte da demanda eletiva, bem como também demanda por exames de Covid-19”, pressupõe Lorencini.

Sem dúvida, as soluções para os testes de Covid-19 contribuíram para impulsionar as fornecedoras de tecnologia. Na Matrix Saúde, a demanda de solicitações de clientes para interfaceamento de equipamentos relacionados foi expressiva, soma-se a isso a implantação e operação de importantes laboratórios de campanha.

Outro serviço da empresa que veio com a pandemia é a adequação dos laboratórios usuários da solução Matrix Diagnosis às exigências da Portaria 1.792 do Ministério da Saúde, que preconiza o envio dos resultados dos testes da Covid-19 em até 24 horas para a Rede Nacional de Dados em Saúde – RNDS. “Trabalhamos para que essa nova exigência cause o menor impacto possível na rotina dos clientes”, informa Silvia Tieko Yano, Gerente de Marketing da Matrix Saúde.

A aceleração dentro dos laboratórios

A chegada da Covid-19 causou uma revolução na forma dos laboratórios trabalharem. Até então, uma reinvenção na forma de oferecer serviços e de se relacionar com clientes dentro de um sistema extremamente consolidado parecia desnecessária. Mas hoje, passados seis meses da chegada do vírus ao país, a medicina diagnóstica provou que poderia fazer diferente em um curto espaço de tempo. Com uma força tarefa focada na demanda de volume de exames para Covid-19, o Grupo Pardini divulgou no fim de julho que já havia realizado um total de mais de 300 mil exames RT-PCR, com capacidade instalada de 10 mil exames/dia.

O Diretor de TI e Digital, João Vicente Alvarenga, comenta que houve um grande esforço de áreas conjuntas para a concretização das novas ações, que envolveu um maior foco das áreas de suprimentos, logística, produção e TI. Ao mesmo tempo, o Grupo precisou aprimorar produtos e serviços existentes e lançar novos canais digitais para atender à crescente demanda de atendimentos residenciais.

Um time multidisciplinar na área digital se mantém focado nessas ações e, desde o início da pandemia, já desenvolveu uma loja virtual específica para a pandemia, com compras de exames para Covid-19, drive-thru, teleconsulta e vacinas. O Grupo Pardini também se apoiou na tecnologia para implementar as necessidades atuais em seu chatbot (inteligência via whatsapp) para solucionar dúvidas sobre os tipos de exames para Covid-19 a serem realizados.

A telemedicina é um serviço que tem sido amplamente divulgado durante a pandemia e o Grupo Fleury tem focado nessas soluções por plataformas diferenciadas. Por meio da marca SantéCorp, oferece  aos pacientes o “Cuidar Digital”, que permite aos médicos prestar assistência à distância utilizando facilidades de interação digital, como o prontuário eletrônico, que permite a continuidade nos cuidados com a saúde, sobretudo no contexto atual.

O Fleury Genômica foi uma outra área de negócio que teve influência da pandemia. Embora seja uma plataforma que já surgiu digital para exames genéticos, com a pandemia o Grupo passou a disponibilizar o atendimento online com médicos geneticistas por meio de videoconferência. Na consulta virtual, o médico pode entender o quadro clínico do paciente, considerar o risco do desenvolvimento de doenças hereditárias e levantar o potencial de se ter herdado ou de transmitir condições genéticas. Ainda, é capaz de fornecer esclarecimentos e dar suporte no diagnóstico e na tomada de decisão para pessoas que possam sofrer algum risco ou portar uma condição genética.

Tecnologias digitais e inovação

Para Jeane Tsutsui, Diretora Executiva de Negócios do Grupo Fleury, a revolução digital chegou definitivamente à saúde: “A telemedicina foi um grande salto que pode contribuir para o futuro, bem como o sistema drive-thru implantado nas unidades para atender esse momento atípico. A Companhia estabeleceu a intensificação de sua “transição digital” com novos e maiores aportes em sua área de desenvolvimento de ativos e produtos digitais e intensificou a expansão de serviços e estruturas para garantir a evolução de sua plataforma de saúde em 2020”, comentou.

Outro destaque do Grupo Fleury que surgiu nesse contexto de combate ao novo coronavírus é a plataforma RadVid-19 de inteligência artificial para diagnóstico do novo SARS-Cov-2 que tem ajudado médicos e instituições de saúde de todo o país a otimizarem diagnóstico e tratamento contra a Covid-19. A Dra. Jeane explica que a iniciativa é do Inova HC, da USP, em conjunto de empresas e instituições colaboradoras, entre elas o Grupo Fleury. Já recebeu 21.500 mil acessos e cadastrou quase sete mil exames de imagens enviados por radiologistas de 12 estados brasileiros, com 71% de resultados positivos para a Covid-19.

A plataforma é alimentada por um banco de imagens de raios-X e tomografias do tórax de pacientes de 50 hospitais cadastrados de todo o Brasil até o momento, sendo capaz de identificar indícios da presença de Covid-19 nos exames a partir de algoritmos e tecnologia de inteligência artificial.

Como parte dos seus projetos estratégicos, o Grupo Pardini aperfeiçoou as plataformas digitais e lançou um pacote para melhorar o relacionamento digital dos clientes com o novo site institucional, que agora está mais leve e amigável, e também com o app, desenvolvido para uma melhor experiência do usuário e com duas funcionalidades inéditas e inovadoras: acesso ao laudo via realidade aumentada e interação via linguagem natural com o assistente de voz da Amazon, a Alexa.

Com o uso intenso da tecnologia na medicina diagnóstica, é certo que os projetos que nasceram com a pandemia ficarão. Como cita Marcelo Lorencini, da Shift, “a tecnologia se apresenta como essencial para segurança, conveniência e atendimento dos pacientes e de toda rede de saúde”.

Com o consumidor cada vez mais exigente e conhecedor de seus direitos e necessidades, oferecer as melhores experiências é essencial para quem quer se manter no mercado. “Não adianta mais digitalizar por digitalizar. Sem um serviço digitalizado simples, humano e eficaz os clientes se afastarão. Mais do que nunca seus competidores estarão a um clique de distância”, pontua João Alvarenga, do Grupo Pardini.

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