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Cromatografia Líquida e Espectrometria de Massas em Tandem. Equipamentos usados no Fleury para detecção quantitativa de hormônios, drogas terapêuticas, metabolitos e vitaminas. Divulgação/Fleury

É cada vez mais frequente encontrarmos nos resultados de laudos laboratoriais a utilização do método de cromatografia líquida/espectrometria de massas em tandem.

A utilidade desta importante ferramenta analítica já é conhecida há décadas e suas características potenciais de seletividade e especificidade, que proporcionam alta sensibilidade, têm lhe garantido um lugar de destaque na rotina dos laboratórios de análises clínicas.

O Portal LabNetwork perguntou a grandes laboratórios de análises clínicas como seus núcleos técnicos estão trabalhando com a instrumentação analítica em relação a sua aplicação na rotina, o uso de mão de obra especializada, o futuro desse segmento e muito mais. Confira:

 

 

Dr. Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, coordenador médico do laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein

especial-iaac-1Os equipamentos analíticos estão dentro de um setor chamado Química Especial, que faz parte do Departamento de Química Clínica do Laboratório Clínico da Albert Einstein Medicina Diagnóstica. Realizamos parte da rotina de hormônios esteroides, dosagem de antifúngicos, bussulfano (droga utilizada no Transplante de Medula Óssea) e estamos em fase de validação de um painel de antimicrobianos. Nós também realizamos parcerias com projetos de pesquisa.

Nós dispomos de dois Cromatógrafos Líquidos de Ultra Perfomance (UPLC) e mais dois UPLCs acoplados a Espectrômetros de Massas (LC/MS).

Estas técnicas permitem ampliar o menu de exames do laboratório, montar painel de biomarcadores integrados e descobrir novos biomarcadores (Metabolômica e Proteômica).

Com relação ao custo, por painel é menor que quando comparado com as técnicas convencionais, porém o investimento com o equipamento é grande, associado a contratos de manutenções corretivas e preventivas.

A mão de obra é altamente qualificada tanto para desenvolver, quanto para validar e executar a rotina.

Sobre o futuro desta técnica, cada vez mais os laboratórios irão utilizá-la, porém a dificuldade em adquirir os equipamentos, contratar pessoas qualificadas, desenvolver as técnicas e executar os exames no dia a dia (a rotina destas técnicas ainda é muito manual, em comparação com a automação dos equipamentos que realizam os testes convencionais), são as principais barreiras para expansão dentro dos laboratórios.

 

Dr. Cláudio Pereira, diretor de Análises Clínicas da DASA

especial-iaac-2Nossas especialidades são nas áreas de Toxicologia e Química Analítica: Ocupacional, Orto-Molecular, Drogas terapêuticas, Drogas Abuso, Aminas Biogênicas, Vitaminas e nossa demanda é de 250 mil exames mensais.

O Laboratório Sérgio Franco foi pioneiro na adoção das técnicas de instrumentação analítica. Há muitas décadas conta com equipamentos de Cromatografia Líquida, por exemplo. Nos últimos três anos houve um aumento muito grande de equipamento, número de exames processados e diversificação do menu de testes realizados.

Contamos hoje com: Cromatógrafo Líquido (HPLC), Cromatógrafo Gasoso (CG), Espectofotômetro de Absorção Atômica, Espectrômetros de Massas do tipo ICP/MS e LC/MS, totalizando 60 unidades.

Eles são utilizados para a realização dos seguintes exames: metais, solventes orgânicos, álcoois, ácidos orgânicos, hidrocarbonetos aromáticos, cianetos, nitrilas alifáticas, vitaminas, drogas de abuso, drogas terapêuticas, aminas biogênicas etc.

Sobre os méritos dessa tecnologia, além de esses equipamentos possuírem sensibilidade e acurácia melhores, eles estão atualizados com as mais recentes metodologias utilizadas em pesquisas nas universidades e laboratórios de referência.

Nossas metodologias, em sua maioria “in house”, requerem mão-de-obra especializada e necessitam ainda de treinamento com os próprios fabricantes, devido à modernidade dos equipamentos.

Sobre o futuro desses sistemas dentro da rotina laboratorial, posso dizer que a área de química analítica ou de instrumentação analítica está na fronteira atual do desenvolvimento de novos testes e do aperfeiçoamento de testes tradicionais como as dosagens hormonais, por exemplo. A proteômica, um dos ramos da revolução dos “omics”, tem na instrumentação de química analítica suas plataformas de dosagem, daí grande parte desta expectativa de desenvolvimento e crescimento destes sistemas em Medicina Laboratorial.

Recentemente adquirimos os seguintes sistemas: dois LC-MS Agilent na Toxicologia, um LC-MS Agilent na Neonatologia, um LC-MS Perkin/Waters na Neonatologia e um LC-MS Waters na Toxicologia.

 

Dr. Rafael Jácomo, diretor Técnico do Laboratório Sabin

esoecial-aiac-4O Laboratório Sabin realiza, em média, 10.000 exames por mês pela técnica de HPLC.  Nós a utilizamos desde 2003, quando iniciamos a dosagem de algumas drogas imunossupressoras por HPLC. Possuímos cinco aparelhos que realizam as técnicas de Cromatrografia Líquida (HPLC e UPLC) e Espectrometria de Massa (MaldiTof), sendo eles dois da marca Agilent – UPLC, um da Shimatzsu, outro da Chromsystems e um da Biomerieux (Maldi ToF).

Com estes aparelhos realizamos os seguintes exames: catecolaminas, metanefrinas, serotonina, vitaminas A, B1, B2, B6, C, E, carbamazepina, defenilhidantoína, fenobarbital, lamotrigina e oxcarbamazepina.

Esta tecnologia permite a identificação precisa de diversas substâncias e trazem para o médico assistente respostas rápidas para monitoramento de medicamentos, por exemplo.

Certamente é necessária mão de obra especializada em Cromatografia para validar e programar os equipamentos, além de analisar os resultados obtidos por esta técnica.

Sobre o futuro desse segmento, posso dizer que provavelmente haverá um aumento de demanda por diferentes testes, o que deverá diminuir o custo de reagentes e de equipamentos. Além disso, é necessário que se invista em plataformas que permitam levar à automação destes testes.

 

Dr. Gianfranco Zampieri, Superintendente do Núcleo Técnico Operacional e Diretor da Patologia Clínica do SalomãoZoppi Diagnósticos

especial-iaac-3O SalomãoZoppi Diagnósticos realiza cerca de 700.000 mil exames por mês. As especialidades são Microbiologia, Bioquímica, Hematologia, Hemostasia, Parasitologia, Endocrinologia, Marcadores Tumorais, Imunologia, Urunálise, Biologia Molecular, Genética Molecular e Química Analítica.

Nós utilizamos há dois anos e meio os aparelhos de instrumentação analítica na nossa rotina. Temos um UHPLC (Ultra High Performance Liquid Chromatography) com detector UV/VIS e Fluorescência, e outro UHPLC com Detector de Massas.

O UHPLC-UV/VIS e Fluorescência são utilizados para quantificação de algumas vitaminas como: A, B1, B6 e C.

No UHPLC-MS estão em desenvolvimento exames de hormônios esteroides, como: testosterona, 11 deoxicortisol, cortisol sérico/salivar e urinário, estradiol, 17a hidroxiprogesterona, deidroepiandrosterona, androstenediona, diidrotestosterona, progesterona. Em um futuro não distante, serão desenvolvidos os exames de ácido hipúrico, ácido metilhipúrico, ácido mandélico, ácido trans trans mucônico, ácido tio tiazolidina carboxílico, pentaclorofenol, ômega 3, anandamida, 1,25 hidroxi vitamina D, ácido oxálico (oxalúria), ácido cítrico (citratúria), drogas de abuso (maconha, cocaína, anfetamina, opiáceos, benzodiazepínicos, barbitúricos etc), catecolaminas séricas e urinárias.

Consideramos que o UHPLC é uma técnica utilizada em diversas análises de interesse clínico e atualmente no laboratório de análises clínicas é muito empregada, sendo referência devido a sua sensibilidade, especificidade e confiabilidade. Já quando acoplado a um espectrômetro de massa, podemos afirmar que aumentamos sua seletividade e sensibilidade. Trata-se de uma poderosa ferramenta física que caracteriza as moléculas pela medida da relação massa/carga (m/z) de seus íons. É uma técnica analítica usada para identificar compostos desconhecidos, quantificar compostos conhecidos e auxiliar na elucidação estrutural de moléculas. Apresenta um leque de aplicações, como por exemplo: pesquisas, geologia, biotecnologia, descoberta e desenvolvimento de novos fármacos, análises clínicas e toxicológicas.

Hoje, a mão de obra qualificada é um dos principais desafios para o sucesso de muitas empresas. A carência de profissionais com conhecimento e prática em análises clínicas é muito grande para o desenvolvimento de um bom trabalho.

O futuro desse sistema dentro de uma rotina laboratorial é muito promissor, uma vez que pode ser utilizada tanto para caracterização quanto para quantificação de compostos ou elementos químicos com alta confiabilidade e rapidez. Atualmente, estudos avançam para a era OMICS (lipidômica, proteômica, metabolômica) na procura de novos marcadores biológicos, que sustentem uma doença ou uma disfunção.

 

Dr. Edgar Gil Rizzatti, diretor de Análises Clínicas do Grupo Fleury

especial-iaac-5Equipamentos analíticos como balanças de precisão, PHmetro, condutivímetro e espectrofotômetro sempre estiveram presentes nos laboratórios clínicos. Com o início da automação, foram incorporados como módulos em equipamentos mais complexos. As dosagens bioquímicas são realizadas em equipamentos desse tipo. No Grupo Fleury, a partir de 2005 foi criada uma área especializada em Cromatografia e Espectrometria de massas e vários exames passaram a ser realizados por essa metodologia, principalmente das áreas de Toxicologia, Medicina Ocupacional e Endocrinologia, com a dosagem de hormônios.

Essa metodologia é utilizada principalmente na dosagem de drogas e hormônios que estão presentes em quantidade muito pequenas em nosso organismo, de modo a não serem detectados de forma reprodutível por outros métodos menos sensíveis. Atualmente o setor de Cromatografia e Espectrometria de massas realiza dosagens de drogas terapêuticas imunossupressoras como tacrolimus, rapamicina, antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, antiepilépticos como oxcarbamazepina e lamotrigina, vitaminas A, E, C, B1, B2, B6, investigação de metais no sangue ou urina como alumínio, zinco, cobre, manganês, dosagem de hormônios como androstenediona, 11-desoxicortisol, 17-alfa-hidroxiprogesterona, dihidrohepandrosterona, di-hidrotestosterona, dentre outros.

Atualmente, este setor realiza milhares de testes por mês, por meio de equipamentos analíticos como Espectrômetros de Massas, Cromatógrafos, HPLC, Forno de Grafite e outros. A equipe técnica que realiza estes exames é composta por profissionais experientes e bem treinados, contando inclusive com vários mestres e doutores, alguns com formação no exterior.

Novos equipamentos vêm sendo adquiridos para esta área e temos toda uma equipe de profissionais exclusivamente dedicados à pesquisa e desenvolvimento de novos testes trabalhando para colocarmos, de forma pioneira no Brasil, cada vez mais exames à disposição dos nossos clientes.

 

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