Em 1967 um pequeno grupo de farmacêuticos do Rio de Janeiro, que militava no setor de Análises Clínicas, procurava a integração a alguma instituição que congregasse profissionais vinculados ao setor, para que pudessem participar de pesquisas, inovações, bem como frequentar a eventos da área.

A única entidade à época disponível, por questões de puro corporativismo não os aceitava como membros associados, exceto numa categoria chamada de aderentes, uma espécie de segunda linha associativa, o que não foi aceito pelos postulantes.

Desta forma, alijados de ter uma participação efetiva, optaram por criar uma nova entidade, aberta a todos os profissionais de nível universitário, legalmente habilitados ao exercício das Análises Clínicas.

Em 28 de novembro de 1967 nasceu a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas –  SBAC.

Portanto, foi dessa forma que os profissionais farmacêuticos voltados ao exercício das Análises Clínicas encontraram uma casa que os acolheu, prestigiou, abrindo notável espaço para que pudessem expor seus conceitos, ideias, publicações e, fundamentalmente, abrir a convivência científica a todos os profissionais do ambiente laboratorial.

Eleita e empossada a primeira diretoria, umas das primeiras e mais acertadas atitudes foi a de procurar lideranças do setor laboratorial em todo o país para que pudessem ser agregados ao espírito associativo de seus fundadores, e assim caracterizar a nova entidade como representante dos profissionais de laboratório clínico em todo o território nacional. Importante frisar que àquela época as dificuldades de comunicação eram infindáveis. O DDD ainda era incipiente e dispendioso. Havia um desconhecimento total do que se passava e acontecia em todo o segmento a nível Brasil.

Assim, apesar de todas as dificuldades de comunicação, com a perseverança e os esforços de seus fundadores, ergueu-se aquela que tem a referência de ser a maior e mais abrangente Sociedade Científica da América Latina.

Os   pioneiros da Sociedade, com destaque aos nomes dos farmacêuticos José Abol Correa, Ney Hausmahn, João Ciribelli Guimarães, Mateus Mandu de Souza, Nuno Alvares Pereira,  Evanyr Seabra Nogueira e Esteban Colnago, nunca mediram esforços e sacrifícios para dedicar suas horas úteis e de lazer para que a entidade crescesse, superando dificuldades financeiras e  rejeições das mais variadas origens.

A primeira sede da SBAC, modesta sala comercial, localizava-se à Rua dos Andradas 96, 10º andar Centro, no Rio de Janeiro, e neste local o grupo reunia-se periodicamente para traçar os projetos de crescimento, difusão e capilaridade da Sociedade em todo o país.

Em 1969, foi iniciada a editoração da Revista Brasileira de Análises Clínicas-RBAC distribuída aos sócios e aos laboratórios de análises clínicas, à época cadastráveis no país. Assim a SBAC tomou corpo e reconhecimento como a entidade representativa dos farmacêuticos que atuavam no setor laboratorial. Estes colegas, à época, já eram muitos e representavam a principal expressão científica da profissão farmacêutica.

Em 18 a 23 de fevereiro de 1971 realizou-se o 1º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas em São Paulo sob a presidência do Dr. José Abol Correa. Este evento, realizado em São Paulo, teve como sede o Campus da USP. Para tal realização foram utilizadas três salas de aula teóricas. Uma para ser a secretaria, a segunda o “portentoso“ salão de exposição de equipamentos e insumos laboratoriais e a terceira sala o espaço das conferências, palestras e mesas redondas. A este evento compareceram cerca de 150 congressistas.  Um êxito inesquecível.

O 2º Congresso teve por sede o tradicional Hotel Gloria no Rio de Janeiro e demonstrou  crescimento vertiginoso em relação ao primeiro, com uma área de exposição muito maior, atividades científicas simultâneas, palestrantes convidados de todo o país e da Argentina e aproximadamente 500 participantes. Este Congresso foi presidido pelo saudoso Prof. Durval Mazzei Nogueira, à época diretor da Faculdade de Farmácia da USP.

O terceiro, realizado em Porto Alegre, em 25 a 29 de novembro de 1973 consagrou uma parceria da SBAC com a Confederação Latino Americana de Bioquímica Clínica – Colabiocli, que assim realizaram de modo simultâneo o 3º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas e o 2º Congresso Latino Americano de Bioquímica Clínica. Compareceram colegas congressistas de todo o país que tiveram a oportunidade de conhecer e confraternizar com colegas de todos os países da América Latina. Presidiu este Congresso o colega e amigo que nos deixou muitas saudades Prof. Antonio José Marques D`Almeida.

Desta forma os Congressos da SBAC foram acontecendo e, de 17 a 20 junho de 2018 acontecerá a 45ª Edição no Rio de Janeiro.

Importante também citar que os Congressos de 1984 e 2008, realizados respectivamente no Rio de Janeiro e Fortaleza, foram realizados com a parceria e chancela da International Federation of Clinical Chemstry-IFCC, a maior e mais importante entidade internacional do segmento laboratorial, à qual a SBAC é filiada desde 1979 e sua representante no Brasil.

Os 50 anos da SBAC ultrapassam todas as expectativas de sucesso, que devem ser comemorados do modo mais efusivo e grandioso. A SBAC representa de forma metafórica, mas absolutamente real o lar acolhedor de todos aqueles profissionais que labutam nos laboratórios de análises clínicas.

Possui cobertura a nível nacional, 21 Estados, através de Regionais e Delegacias, sempre oferecendo algum tipo de atividade aos profissionais de Análises Clínicas, colaborando efetivamente no ensino da arte e da prática laboratorial.

Propicia a seus associados a oportunidade de se tornarem especialistas em análises clínicas,  através do concurso de títulos e provas realizados anualmente por ocasião dos Congressos, desde 1972.

Com a finalidade de orientar, auditar e fornecer o Certificado de Acreditação àqueles laboratórios que venham a entender o verdadeiro sentido e significado das boas práticas laboratoriais, foi criado em 1997 o Sistema Nacional de Acreditação – DICQ  que, através de incansável labor, já acreditou 337 laboratórios em todo o país. Criado e estruturado por João Ciribelli Guimarães, atualmente é coordenado pelo seu neto André Valpassos.

O setor de ensino da Sociedade, desde 2015 passou a oferecer cursos eminentemente práticos, na Sede da Sociedade no Rio de Janeiro, e tem atualmente a denominação de Centro de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas-CEPAC, coordenado por Paulo Murillo Neufeld.

O Programa Nacional de Controle de Qualidade – PNCQ, criado em 1976 é a maior entidade voltada à atividade de controle de qualidade laboratorial da América Latina. Conta com 90 colaboradores altamente preparados para as suas funções. As instalações são as mais atualizadas em conceitos de modernidade, biossegurança e qualidade dos equipamentos. Seus laboratórios enquadram-se nos mais altos patamares em exatidão, precisão e resolutividade.

Desde a fundação, até 2014, o Dr. José Abol Correa foi o Superintendente, conduzindo o PNCQ com inigualável dedicação e perseverança.

A presença, a representatividade e o significado do PNCQ no segmento laboratorial brasileiro tem como essência fundamental o denodo e a obstinação do Dr. Abol.

Atualmente o Superintendente é o Dr. Francisco Guimarães, permanecendo o Dr. Abol como diretor administrativo.

O PNCQ atende cerca de 5.500 Laboratórios e Bancos de Sangue. Seus braços no exterior abraçam todos os países da América Latina, Portugal, Espanha e Itália. Fornece materiais de controle a outros países da Europa, todos produzidos em suas instalações, que vêm galgando os mais altos índices de aceitação e credibilidade.

Mantém também o programa PNCQ Gestor, destinado à preparação dos laboratórios às auditorias de acreditação. Este programa é itinerante e percorre todo o país.

O conjunto de todas as atividades da SBAC é da mais alta expressão no sentido de atender a todas as necessidades do segmento laboratorial. Para tanto vem preparando meticulosamente um conjunto de ações que estarão voltadas tanto ao profissional de laboratório quanto às empresas do segmento laboratorial.

Essa é a determinação do atual presidente Luis Fernando Barcelos em fazer todas as transformações e adaptações necessárias para que, no mais breve tempo, todos possam usufruir das novas ações, atuações e atitudes da SBAC. E assim preparar os laboratórios de análises clínicas a enfrentar todos os novos cenários que se prenunciam.

Importante também citar a dedicação de Humberto Tiburcio, Willy Jung, Ulisses Tuma, Jerolino Lopes Aquino, os presidentes mais recentes, aqueles que prosseguiram dando continuidade e modernidade ao trabalho dos fundadores.

Portanto a SBAC, essa jovem senhora, que comemora neste mês de novembro seus 50 anos, tem muito o que festejar, juntamente com os 12.000 associados registrados e abrir as portas de seus 4.000 metros quadrados de área física para todos aqueles que buscam e valorizam as melhores soluções laboratoriais.

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Irineu Grinberg
Publicado por Irineu Grinberg

Irineu Grinberg é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). Email: [email protected]

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