Durante o evento que acontece neste sábado, 22, a partir das 14h, no Largo da Batata, grupo responsável pela fabricação das vacinas e controle das doenças participa de uma roda de discussão sobre transmissão, prevenção e tratamento.

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A mobilização teve início nos Estados Unidos e já ultrapassa a marca de 300 marchas satélites em diversos países. Foto: Luciana Barros / APqC

Durante a Marcha Pela Ciência de São Paulo, evento que será realizado mutuamente em vários países do mundo neste sábado, 22 de abril, um grupo de pesquisadores que representam a Associação dos Pesquisadores Científicos de Estado de São Paulo (APqC), patrocinadora do evento, coordena uma roda de discussão sobre as formas de transmissão, prevenção e tratamento da Dengue, Zika e Febre Amarela. Os especialistas fazem parte dos Institutos Butantan e Adolfo Lutz e trabalham diretamente nos comitês de controle das três doenças.

Na ocasião, os pesquisadores apresentarão dados atualizados, trabalhos e pesquisas realizadas pelos institutos, além de uma exposição itinerante, com imagens exclusivas e explicações detalhadas dos virus e transmissores. O evento acontece a partir das 14h e espera reunir milhares de estudantes, professores, pesquisadores e entusiastas da Ciência.

A iniciativa da edição paulistana é de alunos e professores da USP, em parceria com a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e com a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo.

A mobilização teve início nos Estados Unidos e já ultrapassa a marca de 300 marchas satélites em diversos países, envolvendo instituições de ponta em ciência e educação. Para os organizadores, um dos objetivos principais da mobilização é democratizar os estudos científicos e torná-los mais acessíveis e abertos à comunidade. “Precisamos aproximar a sociedade da ciência , pois ela é utilizada para o bem comum”, comenta Flávia Virginio Fonseca, aluna de doutorado do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “As pessoas não se interessam pela ciência e parte disso se deve à falta de preparo dos próprios cientistas para lidar com a divulgação dos estudos de maneira fácil e objetiva”. Por isso queremos também conscientizar a comunidade científica sobre a importância dessa parceria com a comunidade. A ciência deve ser inclusiva”, comenta.

De acordo com o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino Azevedo Filho, o protesto ocorre em um momento bastante delicado da Ciência no estado, que sofre com o abandono das autoridades. “Apesar de reconhecerem a contribuição que nós damos ao País, já que investimentos em Ciência são capazes de reduzir muitas crises econômicas, nossos institutos estão sendo desmontados e sucateados. Estamos ainda lutando contra a venda de diversos imóveis e áreas de preservação ambiental pertencentes ao estado e utilizadas para fins de pesquisa. Muitas de nossas linhas de pesquisas centenárias podem se perder, juntamente com anos e anos de investimento em pesquisa. Estamos correndo o risco de um apagão científico”, afirma Adelino

Ele ainda explica que, como consequência da enorme queda no número de pesquisadores, a inovação também fica comprometida. “Sem inovação, seremos eternos dependentes da importação de tecnologias, insumos para a saúde, alimentos e etc. O país pode perder o que já foi investido nas pesquisas científicas, além do conhecimento gerado e adquirido ao longo de anos e quem paga a conta somos todos nós”, adverte.

 

Sobre a Marcha pela Ciência

A data escolhida para o manifesto, 22 de abril, coincide com o Dia Internacional da Terra, e representa a união dos cientistas e da sociedade em geral pela valorização das pesquisas na manutenção de políticas públicas e o incentivo para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis. “No Brasil, temos uma carência de investimentos em pesquisa e de políticas públicas. Estudos que podem trazer benefícios à saúde pública, ao meio ambiente e novas tecnologias sustentáveis enfrentam a falta de apoio das autoridades”, afirma Felipe Simões, aluno de graduação em Biologia pela Universidade de São Paulo.

Reunindo o maior número possível de instituições e parceiros, a Marcha pela Ciência – SP pretende disseminar a ideia de que a ciência é fundamental para a construção de políticas e regulamentos de interesse público. Além disso, a organização criou uma página no Facebook com o objetivo de divulgar o evento e mostrar que acreditam em uma educação científica mais aberta e consciente. Nas próximas semanas, será publicado um manifesto com mais informações sobre o evento. Os entusiastas da causa também poderão contribuir com os custos operacionais do evento através de crowdfunding.

Tags:

Associação dos Pesquisadores Científicos de Estado de São Paulo, Marcha Pela Ciência de São Paulo

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