Mais um fim de ano se avizinha, acompanhado de festas, comemorações de todos os matizes,  tempo  querer mais a quem se quer bem, de relevar ou expiar os maus atos praticados e sobretudo férias.

Mais do que merecidas, deixar de lado o cansaço e o esgotamento mental e partir para um agradável esgotamento físico, acompanhado de um mar cálido, azul esverdeado em paisagens paradisíacas, ou campos verdes a perder de vista.

Os amigos mais ligados às soluções urbanas, certamente vão preferir outras situações tais como bons concertos, salas de jazz, teatros, os melhores cafés e restaurantes em qualquer uma das megalópoles disponíveis. Poderão optar também pelo frio de outros continentes.

Ou apenas, o mais importante, curtir a presença dos mais afeiçoados e afeiçoáveis entes queridos.

Este é o melhor conceito para férias, aqueles trinta dias inalienáveis e inesquecíveis.

No meio a tantos e saborosos devaneios nos ocorre uma simples indagação: pode o profissional de laboratório de análises clínicas se dar ao luxo, ao prazer e ao encanto de poder gozar férias como as citadas?

Mesmo suprindo o mais difícil que seriam as condições econômicas, extremamente complicadas, mesmo que não esteja atingido pela maré de contratempos, de tabelas de remunerações superadas e anti-humanas, de uma extorsão tributária impiedosa e sem limites, nosso colega teria que dar uma interrompida em seu descanso para “dar algumas chegadinhas” no laboratório. De forma presencial ou virtual. Para e verificar se tudo vai bem, se todos os pagamentos efetivados, se todos recebimentos previstos creditados. Se a VISA ou o Conselho não fez uma visita não programada e deixou alguma intimação, ou mesmo alguma inovação legal a ser cumprida em exatos quinze dias.

O laboratório de análises clínicas é o primeiro aliado e sustentáculo das clínicas e especialidades médicas. Entretanto, não recebe a contrapartida, nem o reconhecimento pelo trabalho e a sua existência somente é notada quando deixa de existir ou falta em algum ambiente de trabalho.

Não existe mais a possiblidade de que um laboratório de pequeno ou médio porte possa coexistir com qualidade técnica de primeira linha, com um processo de gestão empresarial, de pessoas, marketing, assistência contábil, faturamento, contas a pagar e a receber, e todos os outros itens fundamentais ao trabalho de qualidade reconhecida, associado ao conforto financeiro.

Todas estas ações são executadas pelo proprietário ou pelos sócios do empreendimento. Nenhum com formação profissional voltada para os processos de gestão. Todos excepcionais profissionais de bancada que ao trabalhar na administração, poderão estar muito longe da realização pessoal.

A rentabilidade da instituição Laboratório dificilmente permite a contratação de profissionais que supram essas necessidades.

Portanto, está mais do que evidente que esses estabelecimentos, a grande maioria de excepcional qualidade técnica necessita de apoio externo.

Um “HELP” que possa se responsabilizar por várias fases do processo de gestão, que envolva o melhor LIS – Sistema de Informações Laboratoriais, com as melhores e mais atualizadas soluções em interfaceamentos totais, uma central que possa administrar todo o faturamento emitindo e remetendo as contas aos convênios ou operadoras, com acompanhamento do recebimento e controle na recuperação de glosas habituais.

Necessitam também de uma central de contabilidade especializada em serviços de saúde para organizar a toda a documentação e emitir os balancetes, as guias de impostos a serem recolhidos, cuidar da folha de pagamento, com orientação jurídica pertinente à área laboratorial. Que fique responsável aos envios dos dados atualizados à Receita Federal, tais como RAIS, DEMED, declarações de balanços e IRPJ, bem como orientações fiscais atualizadas sempre que necessário.

Que exista também uma central de compras, com indicação dos preços mais baixos de todos os insumos e equipamentos utilizados pelo laboratório.

Existe também a necessidade premente de orientações jurídicas permanentes, tanto no setor trabalhista, quanto orientação na expressão e inserção de determinados dados nos laudos, que podem e acarretam com muita frequência processos, a maioria das vezes totalmente evitáveis.

Poderiam acontecer também ações no sentido de orientar os laboratórios para os processos de acreditação, confecção de aplicativos de agendamento, instruções pré-analíticas, enfim, um conjunto de ações e atitudes totalmente voltadas à facilitação laboral.

Todos esses serviços e mais alguns, indispensáveis ao funcionamento completo dos estabelecimentos laboratoriais, podem trazer, se utilizados de forma compartilhada, os benefícios de um processo de gestão enxuto e eficiente.

Que transformarão algumas ações indigestas em benefícios permanentes, a um custo muito abaixo do que se poderia imaginar.

Sobrará tempo para transformar concorrência em parceria, com otimização áreas técnicas e, fundamentalmente, direcionar o ócio àqueles que prezamos e queremos bem.

Eliminando concorrências sempre nefastas, o primeiro efeito será a elevação do ticket médio. Com toda segurança.

Que neste fim de ano, e no próximo que bate a nossa porta aconteçam as melhores e maiores alegrias e a confirmação na crença de que, juntos, somos maiores e melhores.

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Irineu Grinberg
Publicado por Irineu Grinberg

Irineu Grinberg é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). Email: [email protected]

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