De acordo com Dr. Toh, todo o sistema hemostático do paciente com sepse está alterado. “É um paciente que morre sangrando”

O Simpósio Corporativo da Stago no Hemo 2017, em Curitiba (PR), continua repercutindo entre os médicos e outros profissionais da área da saúde. Já foram apresentadas duas newsletters sobre as aulas exclusivas dos doutores João Carlos Guerra e Daniel Dias Ribeiro no Simpósio que teve auditório lotado.

Agora chegou a vez do Dr. Cheng-Hock Toh, renomado professor da Universidade de Liverpool e da Royal Liverpool and Broadgreen University Hospitals. Ele é diretor clínico do Centro Roald Dahl de Hemostasia e Trombose, especializado em fluxo sanguíneo e coagulação, e acaba de ser eleito presidente a partir do ano que vem da Sociedade Britânica de Hematologia. Dr. Toh é uma das maiores referências mundiais em diagnóstico de coagulação intravascular disseminada. Conheça as principais informações transmitidas pelo ilustre palestrante durante a aula e em uma entrevista exclusiva, feita após o Simpósio.

Dr. Toh: Precisamos de novos marcadores

A necessidade de contar com novos marcadores de fibrina foi a tônica da aula do Dr. Cheng-Hock Toh para uma atenta plateia presente no Simpósio da Stago. Ele frisou que o diagnóstico preciso e precoce é fundamental para mudar o prognóstico e desfecho de pacientes com quadro de sepse. E descreveu os resultados com o uso de diferentes escores para avaliação da presença ou não da coagulação intravascular disseminada (CIVD).

De acordo com Dr. Toh, todo o sistema hemostático do paciente com sepse está alterado. “É um paciente que morre sangrando. A complicação final de um paciente com sepse é a CIVD, que leva à morte.”

Dr. Cheng-Hock Toh

O professor enfatizou a necessidade de obter tanto o diagnóstico precoce quanto o tratamento preventivo. “É preciso tratar a causa da sepse. E isso deve acontecer de forma rápida, antes da evolução da doença, para corrigir os distúrbios da coagulação”, ensinou.

As principais causas da sepse em países em desenvolvimento são infecções, acidentes com cobras e aranhas, entre outras. Ao concluir, ele lamentou que até agora não tenha sido identificada nenhuma droga com atuação na CIVD que tenha registrado sucesso na sobrevida dos pacientes. “Essa ausência limita muito o tratamento”.

Uma lição em cinco pontos

Ao final de sua aula, Dr. Cheng-Hock Toh concedeu uma rápida entrevista, enumerando os cinco pontos-chaves que tem destacado durante os congressos médicos a respeito da CIVD.

  1. Os principais pontos sobre a CIVD são fáceis de entender se você considerar a resposta do corpo humano a danos severos, infecções ou traumas;
  2. É preciso conhecer o papel central da geração de trombina in vivo, que pode ser a promoção da coagulação, da anticoagulação ou tanto da hiperfibrinólise quanto da hipofibrinólise;
  3. É necessário identificar a importância da trombose nos pequenos vasos sanguíneos, que pode levar à falência múltipla de órgãos;
  4. Precisamos de testes melhores, mais simples e rápidos para o diagnóstico precoce da CIVD, para que possamos melhorar o tratamento;
  5. E o ponto final é que esperamos ter novos tratamentos baseados em um melhor conhecimento sobre a coagulação.

Tags:

Coagulação, HEMO 2017, marcadores de fibrina, sepse

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