Trabalho de doutorado em Biologia Aplicada à Saúde será ampliado e, futuramente, pode ser usado pela polícia para contribuir na investigação de crimes

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Os testes foram realizados ao longo dos últimos quatro anos e constataram a eficácia da reação entre os biossensores e as moléculas de sangue que foram limpas de superfícies com a ajuda de materiais de limpeza

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pode trazer à polícia uma chance de chegar a desfechos de investigações com mais celeridade e precisão. Durante o trabalho ‘Desenvolvimento de Biossensores para as Ciências Forenses’, a bióloga Natália Oliveira, autora do estudo, fez testes que comprovam que as biomoléculas podem identificar material genético mesmo em superfícies limpas com álcool, detergente e água sanitária, prática considerada comum em cenas de crime.

“A gente usa a biomolécula, que pode ser uma proteína, para reagir com o material da superfície que foi limpa. Os dois materiais são colocados em um aparelho. Se o biossensor reagir, o aparelho vai detectar que há uma reação, o que indica que o resultado é positivo para o que estávamos procurando”, detalha a pesquisadora. O resultado foi apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Aplicada à Saúde, do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika).

De acordo com a pesquisadora, os testes foram realizados ao longo dos últimos quatro anos e constataram a eficácia da reação entre os biossensores e as moléculas de sangue que foram limpas de superfícies com a ajuda de materiais de limpeza. Atualmente em fase de aprimoramento dos estudos, a pesquisadora busca ampliar os testes futuramente. “A ideia é fazer os testes com outros fluidos corporais, como sêmen, saliva e lágrima”, indica.

“Outra coisa que a gente queria saber era se o sangue poderia ser encontrado em amostras limpas há mais de dez anos. Ainda estamos em fase de estudo, mas, pelos resultados preliminares, a gente sabe que consegue”, afirma Natália. A pesquisa comprovou, ainda, que o uso dos sensores também pode ajudar a detectar e distinguir a cocaína de outras substâncias ilícitas.

Inicialmente feitas em laboratório, as pesquisas, que contaram com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), devem ser feitas na prática antes de serem aplicadas por equipes da Polícia Civil.

“Essa é uma proposta que a gente tem para levar para o futuro, mas precisamos otimizar os biossensores. Durante os próximos anos, pretendo continuar fazendo essa pesquisa”, afirma Natália. Com informações do G1-PE

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biomoléculas, biossensor, Universidade Federal de Pernambuco

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