Exame detecta mais de 50 patologias com apenas algumas gotas de sangue

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Esse teste é essencial para detectar, de forma precoce, patologias tratáveis desde o início da vida da criança

Comemorado em 6 de junho, o Dia Nacional do Teste do Pezinho é um incentivo do Ministério da Saúde para que a população tenha conhecimento da importância desse exame, feito geralmente entre 48 horas e 5 dias após o nascimento do bebê. Certeiro, ele é capaz de detectar, de forma precoce, até 50 doenças que podem influenciar no desenvolvimento físico, motor e neurológico do recém-nascido, com apenas algumas gotas de sangue. A fibrose cística, quando os pulmões e o pâncreas do bebê são atacados; o hipotireoidismo congênito, que causa a falta de hormônio da tireoide; e a galactosidase, em que o organismo da criança não metaboliza os alimentos ingeridos, são algumas das patologias mais importantes detectadas pelo teste.

“Escolhemos o calcanhar do bebê para a retirada do sangue porque essa é uma região com pouca sensibilidade e segura para a coleta do recém-nascido, mesmo por quem não seja médico. Daí veio o nome do exame, teste do pezinho, mas o sangue também pode ser coletado de uma veia, do modo tradicional”, explica o dr. Gustavo Guida, geneticista e integrante do corpo clínico do laboratório Bronstein. Depois de obtido em um papel-filtro próprio para o exame, o material é encaminhado para o laboratório, em que são dosadas as substâncias que podem identificar as patologias nos bebês.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o teste do pezinho detecta até seis doenças: fenilcetonúria; hipotireoidismo congênito; fibrose cística; anemia falciforme; hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase. Porém, é preciso ficar atento: nem todos os estados brasileiros realizam os seis testes. A rede pública prevê quatro fases do teste do pezinho, às quais os estados devem se adaptar: a primeira fase detecta as doenças fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito; a segunda inclui a anemia falciforme; a terceira fase abrange a fibrose cística e a quarta, a deficiência de biotinidase e a hiperplasia adrenal congênita. Já na rede privada, a maioria das maternidades oferece a realização de mais testes capazes de detectar muitas outras doenças, podendo chegar ao número de 50 patologias investigadas de uma só vez.

“Entre as patologias identificadas com a versão mais abrangente do teste está a deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (MCAD), que pode levar à morte caso a criança seja mantida em jejum por poucas horas, como ao dormir”, completa o dr. Gustavo.

Também conhecido como triagem neonatal, esse exame é obrigatório por lei no Brasil para todos os bebês desde 1992. Caso haja alguma alteração ou dúvida nos índices apontados, uma nova coleta deve ser solicitada para confirmar o diagnóstico e, caso necessário, iniciar o tratamento.

“Esse teste é essencial para detectar, de forma precoce, patologias tratáveis desde o início da vida da criança. Em caso de doenças mais graves, o tratamento iniciado cedo permite melhorar o bem-estar do bebê ao longo dos anos e até mesmo aumentar suas chances de vida se comparado com uma criança que descobriu a doença de forma tardia”, conclui o médico.

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Dia Nacional do Teste do Pezinho, triagem neonatal

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