A utilização de produtos farmacêuticos contaminados com bactérias, fungos e leveduras tem sido relatada em diversas publicações técnicas, científicas e mesmo em revistas e jornais.

Além dos prejuízos à saúde dos pacientes e consumidores dos produtos, a imagem do fabricante é desgastada em vista das alterações das características físicas, que podem variar desde a quebra das emulsões, fermentação dos xaropes, alterações de cor, odor e sabor dos produtos, até alterações devido ao aparecimento de precipitações, depósitos etc..

A contaminação microbiana dos produtos não estéreis pode ser controlada, melhorando e aplicando as normas das Boas Práticas de Fabricação, incorporando produtos conservantes à formulação do produto, com o objetivo de que o produto se conserve até o final do uso pelo paciente e não para mascarar deficiências na fabricação e controle.

Claudio Hirai, Farmacêutico-Bioquímico, membro da Farmacopeia Brasileira do Comitê Técnico Temático de Microbiologia, membro da American Society of Microbiology e autor de diversas publicações em revistas científicas, esclarece sobre a ação desses microrganismos:

 

Qual a importância da identificação e quantificação dos microrganismos em produtos farmacêuticos?
Tendo em vista o aumento do número de pacientes imunocomprometidos, é necessária uma maior atenção com referência à identificação e quantificação dos microrganismos em produtos farmacêuticos. Portanto, é preciso a adoção de políticas e procedimentos específicos dos fabricantes de produtos farmacêuticos quanto à significância dos microrganismos isolados ou às monografias dos produtos descritas nas farmacopeias com relação ao número máximo permissível, levando em conta a espécie isolada e potencial patogênico do microrganismo em questão. 

Dentro desse contexto, qual a significância de Pseudomonas?
As Pseudomonas fazem parte de um gênero com grande número de espécies de bacilos Gram negativos, aeróbios estritos. A maioria das cepas apresenta motilidade por meio de um ou mais flagelos polares, utilizam a glicose, e outros carboidratos por via oxidativa e são citocromo oxidase positivos. Com a exceção do P. vesicularis, estes microrganismos crescem em Agar MacConkey e são não fermentadores.

Como é a sua morfologia?
Certas espécies apresentam morfologias distintas ou pigmentos característicos. Tem a capacidade de utilizar de simples carboidratos a substâncias mais complexas, álcoois e aminoácidos como fonte de carbono. Certas espécies podem crescer a 4ºC, porém a maioria é mesofílica, apresentando o crescimento ótimo entre 30 a 37ºC. Podem ser isolados do solo, água e plantas. Devido à sua capacidade de sobreviver em ambientes úmidos, estes microrganismos são particularmente problemáticos em ambientes hospitalares. Uma característica destes microrganismos é a alta resistência a diversos tipos de antibióticos, sendo que a resistência apresentada por estes microrganismos é principalmente devido à baixa permeabilidade da membrana externa e aos sistemas de exfluxo multidrogas.

Como se dá seu isolamento?
As Pseudomonas têm sido isoladas em uma grande variedade de soluções aquosas sendo que podemos incluir soluções desinfetantes, pomadas, sabões, fluidos de irrigação, colírios, soluções de diálise, equipamentos hospitalares, equipamentos de terapia respiratória etc..

Sobre a Pseudomonas aeruginosa, qual sua significância?
A Pseudomonas aeruginosa é o patógeno mais importante do gênero com respeito ao número e ocorrência de infeções e a sua associação com a morbidade e mortalidade nos seres humanos que pode ser atribuído a sua adaptabilidade aos ambientes úmidos e aos seus potentes fatores de virulência, que podem causar desde infeções superficiais de pele a septcemias fulminantes. Infeções causadas pela Pseudomonas aeruginosa em indivíduos imunocomprometidos tendem a ser localizadas e frequentemente associadas à água contaminada ou soluções. A foliculite é a infeção mais comum nestes pacientes, sendo adquirida por água de piscina contaminada, roupas contaminadas em máquinas de lavar, ou banheiras com circulação de água quente.

Quais tipos de infecção ela pode causar?
Ainda hoje a Pseudomonas aeruginosa é um dos patógenos mais comuns em ambientes hospitalares e um dos maiores causadores de infeções do trato respiratório de pacientes entubados na unidade de terapia intensiva. O microrganismo também causa infeções do trato urinário, infecções de feridas e bacteremia. As infeções de ferida são particularmente problemáticas em pacientes queimados. A patogenicidade do microrganismo pode ser explicada pelo amplo espectro de fatores de virulência. Uma vez no organismo ela produz proteases que danificam os tecidos, hemolisinas, exotoxinas e endotoxinas.

 

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