Dificuldade de acesso a exames avançados e falta de informação prejudicam diagnóstico correto na rede pública e privada

bd

Na semana do Dia Mundial de Luta Contra o Câncer (8/4), fórum em São Paulo chama atenção para a importância de exames de qualidade no tratamento eficaz da doença

O diagnóstico errado do câncer é mais comum do que se imagina e prejudica as chances de sobrevivência do paciente. Esse foi o alerta feito por especialistas globais em medicina diagnóstica, reunidos na última quarta-feira (5), em São Paulo, para o 1º Encontro Brasileiro Clínico-Diagnóstico em Onco-Hematologia. A dificuldade de acesso a exames avançados na rede pública e privada no Brasil e a falta de informação são as principais causas do diagnóstico mal feito, de acordo com os participantes do fórum. O Dia Mundial de Luta Contra o Câncer é lembrado em 8 de abril.

O hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein Dr. Fabio Pires explicou que, por exemplo, em alguns casos de leucemia e linfoma (os cânceres do sangue e do sistema linfático), o diagnóstico é qualitativo, ou seja, é necessária a análise de alterações no formato das células, o que é muito mais complexo e exige exames diferenciados. Pires falou sobre a carência de tecnologias de ponta no Brasil para detecção dessas doenças, que afligem milhares de brasileiros todo ano, além das barreiras burocráticas dos planos de saúde para a prescrição dos exames necessários para a precisão diagnóstica. “Existe uma grande dificuldade de acesso e disponibilidade de exames para leucemia e linfoma no Brasil. Nosso país precisaria ter, em cada região, mais acesso a esses exames mais complexos”, afirmou.

Para evidenciar a dificuldade do paciente em conseguir um diagnóstico correto no Brasil, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) trouxe ao público do evento um vídeo com a história de Beatriz Baccetti, uma jovem do interior de São Paulo, que passou por 14 médicos e levou anos para ter o diagnóstico correto do linfoma. Além do descaso nos atendimentos, ela enfrentou longas esperas pelos resultados dos exames, que ainda demoraram em apontar a doença correta, atrasando o tratamento. “O profissional olha a amostra ou biópsia, mas não enxerga o senso de urgência e a angústia do paciente”, lamentou Carolina Cohen, Diretora Institucional da Abrale. “É preciso lembrar que aquele exame é uma pessoa, que espera pelo diagnóstico angustiada. A humanização é muito importante”.

Do renomado Centro de Investigación del Cáncer, da Universidade de Salamanca (Espanha), o Dr. Alberto Orfao falou sobre a relevância da comunicação assertiva entre laboratório, clínico e paciente. “O importante não é só chegar ao diagnóstico, mas também transmiti-lo ao médico e fazê-lo entender a sua importância, para começar a atuar o quanto antes”, disse ele. “O exame é útil quando leva a uma tomada de decisão. E, para orientar a tomada de decisão, o exame deve ser preciso”, afirmou.

Orfao faz parte do Grupo EuroFlow, consórcio global de pesquisadores, de diversas instituições, que buscam aperfeiçoar a detecção da leucemia e linfoma, atuando na melhoria contínua de protocolos avançados para exames rápidos e precisos. Um de seus objetivos é criar um padrão global de diagnóstico, utilizando a tecnologia da citometria de fluxo, para sinalizar a doença de forma mais exata e ágil.

“O relógio de um paciente com câncer conta diferente. Nosso objetivo é diminuir o tempo para o diagnóstico correto e o tratamento”, disse Walter Baxter, Gerente Geral da BD Brasil. Parceira do Grupo EuroFlow, a BD oferece soluções na área da citometria de fluxo e apoiou o fórum, juntamente com o Grupo Fleury. Também foi realizado um workshop sobre o exame para residentes e médicos.

“O campo de citometria de fluxo floresceu bastante e o seu uso tem sido cada vez mais ampliado”, disse o Dr. Edgar Gil Rizzatti, Diretor de Análises Clínicas do Grupo Fleury. “A abordagem multifacetada e integrada no diagnóstico pode reduzir a possibilidade de erro”, afirmou.

O objetivo do evento foi valorizar a comunicação entre os profissionais dos setores das análises clínico-laboratoriais e a equipe clínica da área onco-hematológica, assegurando que as observações e os resultados dos laudos laboratoriais apoiem as condutas dos médicos, contribuindo para conclusões diagnósticas seguras, eficácia terapêutica e, consequentemente, resultados ainda mais assertivos para as necessidades do paciente.

Tags:

1º Encontro Brasileiro Clínico-Diagnóstico em Onco-Hematologia, câncer, citometria de fluxo, Grupo EuroFlow

Compartilhe: