Tecnologia disponível no País identifica em 20 minutos infecção bacteriana que pode evoluir para Sepse, uma das principais causas de mortalidade em UTIs

biomerieux

Dr. Ignácio Martin-Loeches, PhD, esteve no Brasil recentemente participando do XIV Fórum Sepse

A sepse, ou infecção generalizada, é mais mortal do que se imagina. Estudos epidemiológicos brasileiros, coordenados pelo Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), apontam que a taxa de mortalidade em nosso país pode chega a 55% dos pacientes que apresentam sepse nas UTIs. Na última década, a taxa de incidência da doença aumentou entre 8% e 13%, e causou mais óbitos do que câncer de mama e de intestino.

A sepse pode ser definida como a resposta sistêmica a uma doença infecciosa, causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Como a doença pode estar relacionada a qualquer foco infeccioso, as infecções mais comumente associadas à sua ocorrência são a pneumonia, a infecção intra-abdominal e a infecção urinária. A pneumonia responde por metade dos casos.

A sepse é uma das principais causas de mortalidade em UTIs e o maior gerador de custos no setor público e privado.

Dependendo da eficácia do diagnóstico e do tratamento, a sepse pode ser curada com antibióticos – maioria dos casos –, ou evoluir para um quadro grave e até matar. Por isso se diz que, em termos de sepse, um minuto faz muita diferença, ou seja, detecção precoce e intervenção clínica rápida são fundamentais para salvar vidas.

Diante desse desafio, a bioMérieux, empresa francesa líder mundial em diagnóstico in vitro, oferece no Brasil um biomarcador que permite auxiliar o diagnóstico, chamado procalcitonina (PCT).

A procalcitonina é uma substância que não é encontrada no sangue de uma pessoa saudável. Ela é liberada por diversos órgãos quando há infecção bacteriana. Quanto maior a presença de PCT no plasma sanguíneo, maior a gravidade desta infecção.

O teste para detectar a procalcitonina no Sistema VIDAS®, da bioMérieux, é realizado em apenas 20 minutos, por meio de amostra de sangue, sendo possível obter os primeiros resultados que são decisivos para que o paciente receba o tratamento adequado nesse curto período de tempo.

Dosagens de procalcitonina podem ajudar no diagnóstico precoce e no estabelecimento do prognóstico, na avaliação clínica e na orientação do tratamento, e ainda diminuir a incidência de bactérias multirresistentes a antibióticos nos hospitais, as chamadas superbactérias.

Estudos têm mostrado também que o investimento para medir a PCT de forma frequente é muito baixo e compensa a possibilidade de redução expressiva nos custos com antibióticos e UTI.

Na sepse, o aumento dos níveis de PCT pode ser observado de 3 a 6 horas após o início da infecção. Em infecções virais, doenças inflamatórias, doenças crônicas ou processos autoimunes, os níveis da PCT são baixos, permitindo, assim, o diagnóstico diferencial entre infecções bacterianas e as diversas condições clínicas.

O diagnóstico precoce da sepse e o tratamento apropriado fazem a diferença. Um paciente que recebe a terapia antimicrobiana adequada na primeira hora do diagnóstico tem 80% de chance de sobreviver. Essa chance diminui 7,6% a cada hora que passa sem a terapia antimicrobiana. Se ao contrário, o paciente receber a terapia inadequada, ele tem cinco vezes mais chances de morrer, segundo os especialistas.

 

Decisão mais rápida

O benefício dos biomarcadores, sobretudo para apoiar a decisão médica no tratamento de pacientes de UTI, foi um dos temas abordados pelo Dr. Ignácio Martin-Loeches (*), PhD, Consultor em Medicina Intensiva e Diretor de Pesquisa da Organização Multidisciplinar de Pesquisa em Terapia Intensiva (MICRO) do Trinity College, e vice-presidente de Medicina Intensiva no St James’s University Hospital, em Dublin (Irlanda), que esteve no Brasil recentemente participando do XIV Fórum Sepse, realizado entre os dias 4 e 5 de maio de 2017, em São Paulo.

Para ele, o biomarcador da procalcitonina funciona bem para pacientes de UTI, pois ajuda a indicar aquele que tem uma infecção mais grave, já que não há muito tempo para tomar uma decisão sobre a escala e a duração do tratamento. “Nesses casos, o diagnóstico rápido auxilia na escolha da terapia sob medida, assim como na decisão sobre o momento de aumentar ou parar uma terapia, que é a chave de um tratamento eficiente e mais curto. Isso auxilia também no combate ao desenvolvimento de bactérias multirresistentes, resultado do uso excessivo de antibióticos”, afirma o especialista.

Para obter o melhor desempenho dessas ferramentas, porém, o médico reforçou a importância de não usar os biomarcadores como único recurso, mas incorporá-los à prática clínica com recurso adicional, a partir da análise dos sinais fisiológicos e do que está acontecendo com o paciente. “A inclusão dos biomarcadores em protocolos médicos deve resultar de uma abordagem multidisciplinar. Quanto mais evidências sobre seus benefícios, mais rápido o processo. Estudos já mostram que a procalcitonina é específica e sensível, duas características essenciais para a escolha do tratamento mais adequado”, completou Loeches.

(*) O Dr. Ignácio Martin-Loeches veio ao Brasil a convite da empresa ThermoFischer, responsável pela patente da molécula da Procalcitonina.

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